Mudanças climáticas podem destruir o PIB

Eventos extremos associados ao aquecimento global causam desequilíbrio nos ecossistemas e prejudicam a produtividade dos setores agrícola, de construção, mineração, comércio e até mesmo de serviços. A temperatura média do planeta se mantém em uma curva ascendente. O Relatório Anual de de Emissões 2023, da Organização das Nações Unidas (ONU), mostra que o mês de setembro foi o mais quente registrado desde os níveis pré-industriais, com elevação de 1,8ºC. Com as metas firmadas pelos 195 países no Acordo de Paris de 2015 cada vez mais distantes, a ONU alerta para o risco de o aquecimento global subir para quase 3ºC. No Brasil, a influência do fenômeno climático El Niño aumentou ainda mais a quantidade de eventos extremos. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), os meses de julho, agosto, setembro e outubro atingiram temperaturas recordes na média histórica. Nesse intervalo, o volume das chuvas também ficou acima do esperado na região Sul, onde ocorreram inundações e prejuízos ambientais, econômicos, culturais e sociais.

As alterações abruptas nos padrões climáticos geram impactos significativos. Embora os brasileiros estejam acostumados com o calor, chuvas fora de época e eventuais períodos de seca, o cenário vivenciado ao longo deste ano preocupa economistas. A saber, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de produtos como ar-condicionado ficou 6,09% mais caro, com a maior alta dos últimos três anos. As perspectivas para os próximos meses pressionam os preço das commodities agrícolas, devido aos prejuízos nas lavouras. Especialistas do setor projetam uma alta na inflação para o primeiro trimestre de 2024 relacionada aos alimentos, especialmente produtos in natura, e à tarifa de energia. Na geração de renda, como o agronegócio produz ⅓ do Produto Interno Bruto (PIB), pode-se esperar recuos na soma anual. Isso porque a estiagem prolongada no Centro-Oeste causou perdas do plantio e das janelas de semeadura e a necessidade de reparo e replantio de lavouras devastadas por enchentes e inundações no Sul e Sudeste. O estresse térmico desencadeado pelas ondas de calor recorrentes no país provocou redução da produtividade entre operários da construção civil, comércio e serviços. Inclusive, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) estima que, até 2030, deve-se perder mais de 2% das horas trabalhadas anualmente devido às mudanças climáticas. De fato, cada vez que o brasileiro liga sua smart TV, se depara com notícias alarmantes sobre o tempo e o clima. Isso porque a tendência global aponta para uma frequência cada vez maior de ocorrência dos eventos climáticos extremos. O contexto exige medidas urgentes para o controle do aquecimento global.

Deixe uma resposta