Muito Além da Praia: 4 Revelações Sobre a Potência Industrial de Santa Catarina

Quando pensamos em Santa Catarina, a imagem que geralmente vem à mente é de praias deslumbrantes, serras imponentes e uma qualidade de vida invejável. O estado consolidou sua reputação como um dos melhores lugares para se viver no Brasil, atraindo turistas e novos moradores com suas belezas naturais e cidades bem organizadas.

No entanto, por trás dessa fachada de paraíso turístico, pulsa uma força econômica complexa e surpreendentemente poderosa. Santa Catarina não é apenas um cartão-postal; é uma das maiores e mais eficientes potências industriais do país. O recém-lançado “Atlas da Competitividade da Indústria Catarinense 2024”, da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC), revela os dados por trás dessa liderança e desconstrói mitos sobre a economia do estado. Separamos quatro revelações que vão mudar sua percepção sobre a economia catarinense.

  1. É a indústria mais competitiva do Brasil (sim, à frente de São Paulo)

De acordo com o Índice de Competitividade Industrial (ICI) referente a 2021, Santa Catarina conquistou o primeiro lugar no ranking nacional, superando potências econômicas tradicionalmente vistas como líderes.

Os dados colocam o estado em uma posição de destaque, com uma pontuação que reflete uma estrutura industrial sólida e eficiente:

  • Santa Catarina: pontuação de 0,133
  • São Paulo: pontuação de 0,126
  • Rio Grande do Sul: pontuação de 0,118

Essa liderança não se deve a um único setor superdesenvolvido, mas sim à sua “diversidade produtiva e encadeamentos industriais robustos”. O estado consegue harmonizar setores tradicionais, como os de madeira e construção, com segmentos estratégicos de maior tecnologia, como o automotivo e o de equipamentos elétricos, criando uma economia resiliente e dinâmica.

  1. A economia catarinense opera em “equilíbrio”—mas isso pode ser um sinal de alerta

O estudo da FIESC apresenta um indicador inédito para o estado: o “Hiato do Produto”. De forma simples, ele mede a diferença entre o que a economia está produzindo e o que ela poderia produzir se usasse toda a sua capacidade. Quando o hiato é zero, significa que a economia está em perfeito equilíbrio, sem capacidade ociosa nem sobrecarga.

A principal descoberta é que, desde o final de 2021, o hiato do produto de Santa Catarina tem se mantido em zero. Isso indica que a economia operou de forma estável, utilizando seus recursos de maneira eficiente. Contudo, o relatório adiciona uma camada de análise crucial: os resultados de 2023 apontam um “viés negativo”. Apesar do equilíbrio, há sinais de uma possível desaceleração no horizonte, sugerindo um risco de menor crescimento ou estagnação caso a demanda não seja reaquecida.

  1. Se fosse um país, seus pares seriam a Turquia, a Grécia e a Índia

Para entender a posição de Santa Catarina no cenário global, o estudo compara seu perfil industrial com o de outras nações. Os resultados são reveladores. Os países com maior semelhança industrial com o estado são: Ucrânia, Turquia, Grécia, Índia e Indonésia.

Essa comparação significa que Santa Catarina possui características de economias emergentes com mercados industriais já consolidados. Assim como esses países, o estado enfrenta o desafio de expandir seus setores de tecnologia mais avançada para dar o próximo salto competitivo. Essa análise posiciona a indústria catarinense de forma única, mostrando que ela joga em um campo global complexo e cheio de oportunidades.

  1. Líder no Brasil, mas com um longo caminho a percorrer no cenário global

O relatório apresenta um contraste fundamental: ao mesmo tempo em que Santa Catarina possui o maior valor adicionado da manufatura per capita do Brasil (US$ 1.736,19, segundo dados de 2015), esse número ainda está muito distante das economias mais produtivas do mundo.

A comparação com potências industriais globais ilustra a dimensão do desafio. Na Alemanha, o valor era de US 8.859,90 e, na Suíça, alcançava impressionantes US 18.586,64 no mesmo ano. A conclusão é clara: embora seja um destaque absoluto no cenário nacional, o estado precisa focar em ganhos de produtividade para se tornar verdadeiramente competitivo em nível internacional. A urgência dessa missão é capturada nas palavras do presidente da FIESC, Mario Cezar de Aguiar:

“Ampliar a competitividade da nossa indústria é garantir um futuro melhor para Santa Catarina.” – Mario Cezar de Aguiar, Presidente da FIESC

Conclusão: O Próximo Salto de Santa Catarina

O Atlas da FIESC desenha um retrato claro: Santa Catarina consolidou-se como a indústria mais competitiva do Brasil, com uma economia diversificada e operando em equilíbrio. O estado chegou a um ponto de inflexão: a economia em equilíbrio, com um viés de desaceleração, sinaliza que o crescimento futuro dependerá menos da simples utilização da capacidade existente e mais de um salto em produtividade para competir globalmente.

Santa Catarina provou que pode liderar o Brasil. A grande questão agora é: como o estado pode transformar sua liderança nacional em competitividade de classe mundial?

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