O NAFTA (North American Free Trade Agreement), ou Acordo de Livre Comércio da América do Norte, foi assinado em 1992 e entrou em vigor em 1º de janeiro de 1994, unindo Estados Unidos, Canadá e México em uma das maiores zonas de livre comércio do mundo. Para o México, tratou-se de uma guinada estratégica: o país, até então com uma economia mais fechada e fortemente baseada no petróleo e na agricultura, passaria a se integrar diretamente ao mercado norte-americano. A ideia era atrair investimentos, modernizar a indústria e estimular o crescimento econômico por meio do comércio internacional.
A assinatura do NAFTA foi promovida pelo então presidente mexicano Carlos Salinas de Gortari, como parte de um programa de reformas neoliberais iniciado nos anos 1980, que incluía privatizações, abertura comercial e redução do papel do Estado na economia. O tratado previa a eliminação gradual de tarifas alfandegárias, abertura a investimentos e regras para proteger propriedade intelectual, serviços e contratos comerciais. Com ele, o México tornou-se o destino preferencial de muitas empresas norte-americanas que buscavam reduzir custos de produção por meio da realocação de fábricas.
Um dos efeitos imediatos do NAFTA foi a rápida expansão do setor manufatureiro no norte do México, em especial as chamadas maquiladoras — fábricas voltadas à montagem de produtos para exportação, muitas vezes com insumos importados. Esse processo levou à criação de milhões de empregos industriais e à duplicação do comércio entre México e EUA nos primeiros anos do acordo. O México passou a ser fortemente integrado às cadeias produtivas norte-americanas, especialmente nos setores automotivo, eletrônico e têxtil.
No entanto, os benefícios não foram uniformemente distribuídos. Enquanto o norte do país experimentou crescimento industrial e aumento do emprego, o sul rural enfrentou perdas significativas, especialmente na agricultura. Muitos pequenos produtores de milho e outros grãos não conseguiram competir com as importações subsidiadas dos EUA, o que agravou a pobreza em regiões menos industrializadas e contribuiu para migrações internas e internacionais. O impacto foi particularmente duro para comunidades indígenas e camponesas.
Além disso, o aumento da dependência do México em relação aos EUA trouxe vulnerabilidades. A economia mexicana passou a ser altamente sensível às flutuações da economia norte-americana e a decisões políticas em Washington. Isso ficou evidente na crise do “efeito tequila”, em 1994, logo após o início do NAFTA, quando uma fuga de capitais e desvalorização cambial atingiram o país. Ainda assim, defensores do tratado argumentam que, sem o NAFTA, os efeitos da crise teriam sido ainda mais profundos, pois o acordo ajudou a manter os fluxos comerciais abertos.
Em síntese, o NAFTA foi um marco na transformação econômica do México, acelerando sua industrialização, atraindo investimentos e expandindo o comércio. No entanto, também gerou desigualdades regionais, impactos negativos sobre a agricultura familiar e uma crescente dependência externa. Em 2020, o acordo foi reformulado e substituído pelo USMCA (ou T-MEC, no México), refletindo novas exigências trabalhistas e ambientais, além de uma reconfiguração geopolítica das cadeias produtivas. Ainda assim, o legado do NAFTA continua central para entender a economia mexicana contemporânea.
Após a entrada em vigor do NAFTA em 1994, o México passou por um processo intenso de “maquilozación”, termo que designa a proliferação das maquiladoras — fábricas que operam em regime de montagem e processamento para exportação, geralmente localizadas próximas à fronteira com os Estados Unidos. Esse modelo já existia desde os anos 1960 com o Programa de Industrialização da Fronteira, mas o tratado acelerou e ampliou significativamente sua escala, transformando regiões inteiras do norte mexicano em verdadeiros enclaves industriais voltados à economia norte-americana.
A principal característica das maquiladoras é sua inserção em cadeias globais de valor, nas quais o México se especializou nas etapas de menor valor agregado, como montagem, acabamento e embalagem de produtos cujos insumos são frequentemente importados dos próprios EUA ou da Ásia. O setor cresceu rapidamente nos anos 1990 e 2000, especialmente nas áreas de eletrônicos, automóveis, têxteis e dispositivos médicos. Cidades como Tijuana, Ciudad Juárez, Reynosa e Matamoros tornaram-se polos industriais binacionais.
A expansão das maquiladoras trouxe milhões de empregos industriais, atraindo grandes fluxos migratórios internos e promovendo urbanização acelerada. Muitos trabalhadores migraram do sul e do interior do país em busca de empregos nas fábricas da fronteira. No entanto, os empregos gerados eram, em sua maioria, mal remunerados, instáveis e com poucos direitos trabalhistas, o que levou à formação de cinturões de pobreza urbana e condições de vida precárias em muitas cidades industriais.
Esse modelo também teve efeitos estruturais sobre a economia mexicana. A maquilozación consolidou um padrão de crescimento dependente da demanda externa, especialmente dos Estados Unidos, e de investimentos estrangeiros diretos que buscavam mão de obra barata. O México se industrializou, mas sem desenvolver plenamente uma base tecnológica nacional ou uma política industrial voltada ao aumento do conteúdo local e da sofisticação produtiva.
Além disso, a concentração das maquiladoras no norte do país acentuou as desigualdades regionais. Enquanto o norte industrializado crescia, o sul rural permanecia marginalizado, agravando os desequilíbrios internos e contribuindo para tensões sociais e políticas. O contraste entre as cidades com forte presença de multinacionais e as regiões abandonadas pelas políticas públicas se tornou mais visível nas décadas seguintes.
Em resumo, a maquilozación do México pós-NAFTA gerou crescimento industrial e expansão do emprego, mas também reproduziu um modelo dependente, desigual e pouco sustentável. O país passou a integrar a economia global de forma subordinada, com ganhos limitados em termos de inovação, valor agregado e distribuição de renda. O desafio atual continua sendo transformar esse modelo em uma plataforma de desenvolvimento mais inclusiva, produtiva e soberana.

