Não podemos destruir nossa biblioteca da Amazônia

*escrito com André Roncaglia

O Brasil enfrenta uma agitação social em ebulição. A pandemia inflamou a crise institucional, gerando o aquecimento de um sistema social já estressado. Este estado de convulsão silenciosa escancara nossas desigualdades, aumenta a pobreza e expõe um número crescente de pessoas ao coronavírus. Mas os humanos são apenas um dos grupos vitimados. Os nossos biomas são um sintoma da nossa sociedade e elas estão em chamas. A Amazônia e o Pantanal são o retrato do descaso que acompanha uma política de irrestrita austeridade sobre a atuação do Estado, enquanto oferece benesses a igrejas, empresários que sonegam impostos e os ricos que não contribuem com a sua parte. A redução do orçamento de fiscalização do IBAMA mostra a face mais irracional da política ambiental brasileira de desregulação da proteção. O desenvolvimento tecnológico é um aliado na preservação da natureza. Atividades intensivas em conhecimento como manufaturas high tech e serviços empresarias produzem ideias e conhecimento: não poluem o meio ambiente. Atividades extrativistas e manufaturas low tech poluem o ambiente, são na verdade depleção natural. Nas palavras de Erik Reinert:

“Podemos dividir todas as atividades econômicas no mundo em duas grandes categorias: a) Atividades em que a oferta de um fator de produção é limitada em quantidade e / ou qualidade por natureza. São atividades baseadas em recursos naturais que estão sujeitas a Retornos Decrescentes. As nações dependentes das atividades de Retornos Decrescentes onde existe pouco emprego alternativo estão presas a essas matérias-primas e as barreiras para sair dessa dependência são enormes. Sob essas circunstâncias, a nação pode ficar presa em uma situação onde o único sustento possível para uma grande parte de seus habitantes é construir uma vida destruindo o meio ambiente (queimando florestas tropicais, poluindo rios com produtos químicos necessários para lavar o ouro, etc.); b) Atividades em que o fornecimento de todos os fatores de produção é expansível com custos unitários iguais ou inferiores; Retornos Crescentes de escala. As nações que têm grande parte de sua economia nessas atividades – incluindo um setor manufatureiro – descobrirão que, embora as atividades de Retorno Decrescentes possam representar parte de suas exportações, a pressão sobre seus recursos naturais é de natureza muito menos séria.” Ser apenas vendedor de commodities é a pior coisa do mundo!

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