Nasdaq volta a máxima histórica

Os mercados amanhecem mais aliviados diante do cessar-fogo entre Israel e Irã — ainda que frágil e apenas pró-forma. Não sabemos por quanto tempo essa trégua vai durar, mas o fato é que o petróleo registrou a maior queda em dois dias dos últimos dois anos. O Brent recuou para US$ 67.

As bolsas americanas seguem perto de máximas históricas, com o índice Nasdaq renovando recordes. É impressionante o movimento que vimos desde o “Liberation Day”, em abril. Após um mergulho forte no início do ano, os mercados se recuperaram em maio e junho, voltando aos níveis observados no fim do governo Trump. Se alguém perguntasse em 1º de janeiro o que esperar para 30 de junho, dificilmente imaginaria esse cenário: bolsas recuperadas, apesar da turbulência política e geopolítica.

O dólar, por sua vez, se desvalorizou fortemente — o índice DXY caiu quase 10% desde o pico. Os juros longos também recuaram: os títulos de 10 anos nos EUA caíram para 4,30%. Com isso, aumentou a expectativa de cortes na taxa de juros pelo Fed no segundo semestre. O cenário mais provável hoje é de dois cortes de 0,25 ponto percentual. Jerome Powell passou ontem o dia inteiro no Congresso e hoje fala no Senado. A postura dele indica que os cortes devem vir, embora sem pressa — talvez não já em julho, mas ao longo do segundo semestre.

Isso seria excelente para o Brasil. Um diferencial de juros de 15% aqui contra 4% nos EUA em 2026 significaria um diferencial histórico de 11 pontos percentuais, o que favorece fortemente a valorização do real. Inclusive, hoje o Banco Central fará uma intervenção importante no mercado de câmbio: vai vender dólar à vista e reduzir sua posição vendida em contratos futuros.

A operação será de US$ 1 bilhão e funcionará como um “casadão”, combinando venda à vista e recompra no futuro. A posição líquida do BC não muda — ele reduz US$ 1 bi em reservas e US$ 1 bi na posição vendida. Isso ajuda a prover liquidez ao mercado spot, que está demandando dólar físico, e tem efeito positivo também sobre a dívida pública: a operação retira liquidez e, portanto, permite reduzir em até R$ 6 bilhões o estoque de títulos na carteira do BC.

Outro ponto relevante do dia é a possível votação no Congresso para derrubada do IOF sobre operações financeiras, algo que deve ser acompanhado de perto. Já os dados mais importantes da semana, especialmente os de atividade econômica, ficam para amanhã e sexta-feira: teremos CAGED, PIM e PCI nos EUA, além de falas relevantes por lá. Por ora, o alívio nos mercados prevalece, ao menos temporariamente, graças à trégua no Oriente Médio.

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