O Plano de Ação para a Neoindustrialização 2024-2026 apresenta a estratégia do governo brasileiro para impulsionar a indústria nacional ao longo da próxima década, com metas estabelecidas até 2026 e 2033. Elaborado por meio de debates no Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial (CNDI) e com a participação de diversos setores da sociedade, o plano se baseia em três premissas fundamentais:
1. Fortalecimento da indústria brasileira como pilar do desenvolvimento sustentável, com impactos positivos nas dimensões social, econômica e ambiental.
2. Reversão do processo de desindustrialização precoce, que teve início nos anos 1980 e resultou na primarização da estrutura produtiva e na fragilidade das cadeias industriais.
3. Diversificação das exportações, buscando reduzir a concentração atual em produtos de baixa complexidade tecnológica.
Estrutura e Missões do Plano
A Nova Indústria Brasil (NIB) é organizada em torno de seis missões estratégicas, cada uma associada a cadeias produtivas prioritárias e orientada para promover inovação, produtividade e competitividade no setor industrial:
• Missão 1: Cadeias agroindustriais sustentáveis e digitais para segurança alimentar, nutricional e energética.
• Missão 2: Complexo econômico-industrial da saúde resiliente, visando reduzir vulnerabilidades do SUS e ampliar o acesso à saúde.
• Missão 3: Infraestrutura, saneamento, moradia e mobilidade sustentáveis para o bem-estar urbano e a integração produtiva.
• Missão 4: Transformação digital da indústria para ganho de produtividade.
• Missão 5: Bioeconomia, descarbonização e transição energética, com foco na segurança de recursos para as gerações futuras.
• Missão 6: Tecnologias de interesse para a soberania e defesa nacionais.
Essas missões visam atender a demandas da sociedade e direcionar o investimento público e privado para áreas de maior potencial transformador.
Cadeias Produtivas Prioritárias
Foram definidas 19 cadeias prioritárias para cada missão, com destaque para setores como agricultura de precisão, vacinas, baterias elétricas, semicondutores, energia verde e veículos lançadores. A escolha dessas cadeias considerou critérios técnicos e políticos, com foco na estruturação de ecossistemas produtivos robustos.
Instrumentos de Implementação
A execução do plano depende de instrumentos públicos organizados em três frentes:
1. Financeiros: Financiamentos, subvenções, créditos tributários e participação acionária. O Plano Mais Produção (P+P) destina R$ 300 bilhões para inovação, sustentabilidade, exportação e produtividade no período de 2023 a 2026.
2. Ambiente de Negócios: Ações para melhorar a infraestrutura da qualidade, a regulação e o acesso a mercados externos, além de programas de formação e fixação de profissionais qualificados na indústria.
3. Contratações Públicas: Utilização do poder de compra estatal, com destaque para o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e o Sistema Único de Saúde (SUS), além de margens de preferência e encomendas tecnológicas.
Princípios Fundamentais
A NIB é regida por oito princípios: inclusão socioeconômica; equidade; promoção do trabalho decente; desenvolvimento tecnológico; aumento da produtividade; redução de desigualdades regionais; sustentabilidade ambiental; e inserção internacional qualificada.
Governança e Monitoramento
O CNDI coordena a implementação, com apoio de grupos de trabalho temáticos. Um sistema de monitoramento, alimentado por indicadores socioeconômicos e ambientais, garantirá a avaliação contínua e a transparência das ações.
Desafios e Perspectivas
O sucesso da neoindustrialização brasileira passa pela consolidação de políticas de longo prazo, pela ampliação da inovação tecnológica e pela construção de parcerias entre Estado, setor privado e sociedade civil. O objetivo final é reposicionar o Brasil no cenário industrial global, com uma indústria moderna, sustentável e socialmente inclusiva.
O Plano de Ação para a Neoindustrialização 2024-2026 da Nova Indústria Brasil (NIB) definiu 19 cadeias produtivas prioritárias, distribuídas entre as seis missões estratégicas estabelecidas pelo governo. A seleção dessas cadeias levou em consideração critérios técnicos e políticos, com o objetivo de adensar a estrutura produtiva nacional, impulsionar a inovação tecnológica e promover o desenvolvimento sustentável. A seguir, são apresentadas as cadeias prioritárias organizadas por missão.
Missão 1: Cadeias Agroindustriais Sustentáveis e Digitais para a Segurança Alimentar, Nutricional e Energética
1. Agricultura de precisão (drones e sensores):
Desenvolvimento de tecnologias digitais para monitoramento e gestão agrícola, aumentando a produtividade e otimizando o uso de recursos naturais.
2. Máquinas agrícolas e suas partes e componentes:
Fortalecimento da indústria nacional de maquinário agrícola, com foco na mecanização da agricultura familiar e na redução da dependência externa.
3. Fertilizantes e biofertilizantes:
Expansão da capacidade nacional de produção de insumos agrícolas, com ênfase em bioinsumos que promovam práticas agrícolas sustentáveis.
4. Têxtil:
Estímulo ao desenvolvimento de cadeias têxteis de base biológica, aproveitando a biodiversidade brasileira e promovendo a inovação no setor.
Missão 2: Complexo Econômico-Industrial da Saúde Resiliente
5. Medicamentos e princípios ativos biológicos (IFAs):
Redução da dependência externa, especialmente de insumos farmacêuticos ativos (IFAs), essenciais para a autonomia sanitária do Sistema Único de Saúde (SUS).
6. Vacinas, hemoderivados e terapias avançadas:
Fortalecimento da produção nacional de vacinas, imunobiológicos e terapias inovadoras, garantindo maior capacidade de resposta a emergências de saúde.
7. Dispositivos médicos (equipamentos médicos):
Incentivo à fabricação local de equipamentos médicos de alta tecnologia, buscando atender a demanda do SUS e reduzir importações.
Missão 3: Infraestrutura, Saneamento, Moradia e Mobilidade Sustentáveis
8. Sistemas de propulsão:
Fomento ao desenvolvimento de tecnologias para sistemas de propulsão, com destaque para o setor de transportes e logística.
9. Baterias elétricas:
Investimentos na produção nacional de baterias, com foco em tecnologias de armazenamento de energia para veículos elétricos e aplicações industriais.
10. Metroferroviários e suas peças, partes e componentes:
Apoio à fabricação local de equipamentos e infraestrutura para transporte sobre trilhos, visando à modernização da mobilidade urbana.
Missão 4: Transformação Digital da Indústria para Aumentar a Produtividade
11. Semicondutores:
Desenvolvimento da indústria nacional de semicondutores, essenciais para diversos setores, como telecomunicações, automotivo e eletrônica.
12. Robôs industriais:
Estímulo à automação industrial, com a produção de robôs e sistemas integrados, buscando aumentar a produtividade e a competitividade.
13. Produtos e serviços digitais avançados (plataformas digitais e computação em nuvem; audiovisual):
Promoção do desenvolvimento de tecnologias digitais, como soluções de big data, inteligência artificial e conteúdos audiovisuais para o mercado interno e externo.
Missão 5: Bioeconomia, Descarbonização e Transição Energética
14. Novas fontes de energia (hidrogênio verde, diesel verde e SAF – Sustainable Aviation Fuel):
Investimentos no desenvolvimento de combustíveis renováveis, como hidrogênio verde, diesel sustentável e combustível de aviação sustentável (SAF).
15. Equipamentos de energia verde (painéis solares e aerogeradores):
Estímulo à produção nacional de equipamentos para geração de energia limpa, com destaque para tecnologias solar e eólica.
16. Descarbonização da indústria de base (cimento, aço e química sustentável):
Promoção de tecnologias de baixo carbono na indústria de base, com o desenvolvimento de soluções para reduzir emissões de gases de efeito estufa.
Missão 6: Tecnologias de Interesse para a Soberania e Defesa Nacionais
17. Veículos lançadores:
Apoio à produção de veículos lançadores de satélites e sistemas espaciais, fortalecendo a posição do Brasil no setor aeroespacial.
18. Radares:
Desenvolvimento de tecnologias de radar para aplicações civis e militares, com foco na segurança nacional e no monitoramento territorial.
19. Satélites:
Fortalecimento da indústria espacial brasileira, com a fabricação de satélites para comunicações, meteorologia, sensoriamento remoto e defesa.
Conclusão
As 19 cadeias produtivas prioritárias estabelecidas no Plano de Ação para a Neoindustrialização representam o compromisso do Brasil em reposicionar sua indústria no cenário global. O objetivo é aproveitar as vantagens comparativas nacionais, fomentar a inovação tecnológica e impulsionar a competitividade, sempre alinhando crescimento econômico, sustentabilidade ambiental e inclusão social.


Já não era sem tempo. Que a nossa sociedade civil, governo e demais interessados, resolvessem sair do marasmo em que se encontra a nossa produção industrial. Que não cresce há anos.
Trabalhei por quase quarenta anos na indústria, sendo que mais de 90% desse período em empresas multinacionais do setor automotivo. Embora tenha havido uma evolução nesse período, ainda sim ficou muito aquém da evolução da indústria mundial, principalmente se comprado aos asiáticos. As ações do governo são implementadas de forma muito lenta e na maioria das vezes ineficazes. Nosso sistema de infraestrutura logística está entrando em colapso, portanto não há como termos uma indústria pujante com uma logística capenga, baseada em torno de 65% no modal rodoviário. Para quem viveu boa parte da vida na indústria, me parece que eu já vi esse filme.