Novo BC preocupa mercado

Hoje é dia de decisão do COPOM e feriado nos Estados Unidos. A agenda de dados está bastante fraca, portanto, o mercado deve ficar em compasso de espera para ver o que o COPOM vai decidir. De certo modo, o Brasil vive uma crise de confiança atualmente. A situação econômica não é ruim: o desemprego está baixo, o país está crescendo, a inflação está convergindo, a balança comercial deve ter um superávit de US$ 90 bilhões e temos US$ 350 bilhões em reservas. O desempenho fiscal dos dois primeiros bimestres foi positivo. No entanto, há uma crise de confiança em relação ao futuro, especialmente sobre o arcabouço fiscal e o Banco Central nos próximos anos. É interessante notar que, no Boletim Focus, a expectativa de resultado primário para este ano e o próximo não piorou, indicando que essa incerteza não é refletida nas projeções. Contudo, ela está presente no ambiente econômico, com dúvidas sobre o que acontecerá com o arcabouço fiscal, especialmente considerando as regras de crescimento de despesas que podem entrar em conflito com o crescimento da receita. Outra grande preocupação é o futuro do Banco Central. Antigamente, quando o Banco Central não era independente, essa incerteza surgia nas eleições, pois a troca de presidente significava uma mudança na presidência do Banco Central, gerando preocupações sobre a política de juros e controle da inflação. Com a independência do Banco Central, essa incerteza foi transferida para outro momento. Hoje uma parte significativa da incerteza está ligada a quem será o próximo presidente do Banco Central e quais serão suas políticas. Essa crise de confiança afeta o câmbio, a bolsa de valores e os juros longos, sendo mais uma crise de expectativa do que de realidade. Por isso, a decisão do COPOM é tão importante, pois simboliza o que poderá acontecer no futuro. Cortar 0,25 pontos percentuais, cortar 0,5 pontos percentuais ou manter a taxa em 10,5% não mudaria muito do ponto de vista concreto, pois a economia brasileira não reagiria de forma significativa a essas mudanças. No entanto, simbolicamente, a decisão é muito importante. Se o COPOM cortar 0,25 pontos percentuais ou 0,5 pontos percentuais, votar de forma dividida ou unânime, estará enviando um sinal sobre o novo COPOM. O mercado está preocupado com o novo COPOM, já que os cinco diretores antigos, o chamado G5, estão prestes a terminar seus mandatos. O novo presidente será anunciado em breve, então a preocupação é com os novos diretores, seus votos e a forma como vão atuar. Há espaço para cortar juros no Brasil, e a SELIC poderia cair para 9% ou até 8%, mas não agora. O momento exige uma sinalização de preocupação com o controle da inflação e o combate à crise de confiança. A questão é o timing. O nível atual da SELIC é excessivo, mas a forma de proceder no corte de juros e controle da inflação é crucial. Cortar agora, com um voto dividido ou unânime, pode ter um efeito reverso, elevando mais os juros longos, desvalorizando o real e agravando a inflação. Esse é o contexto atual. O COPOM precisa definir a taxa de juros em um ambiente hostil.

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