Essa frase — “num mundo onde o banco é o smartphone, as agências são as plataformas” — captura bem a transformação estrutural do setor financeiro nos últimos 10 anos. Abaixo, exploro essa ideia com base nos dados do mercado brasileiro:
1. O smartphone como novo banco
No modelo tradicional, o banco era sinônimo de uma rede física: agências, gerentes, filas e papelada. Hoje, com mais de 100 milhões de brasileiros com acesso a smartphones e o uso crescente de aplicativos bancários, o celular tornou-se a nova “agência” principal para a maioria dos serviços financeiros. A XP, BTG, Inter, Nubank e outros cresceram surfando essa onda.
2. As plataformas como agências digitais
Se antes cada agência representava o ponto de contato com o cliente, hoje plataformas como XP, BTG, Nubank, Ágora, Inter e Easynvest cumprem esse papel. Elas concentram:
Oferta de produtos financeiros personalizados (como CDBs, fundos, ações) Acesso a informação, recomendação e educação Relacionamento com assessores de investimento via app Custódia e movimentação de ativos com um clique
Com cerca de R$ 1,1 trilhão em ativos sob custódia só na XP Inc., e milhões de clientes operando via aplicativo, a comparação com o modelo físico torna-se ainda mais evidente. Hoje, a “agência” mais visitada do país é um app de investimentos.
3. Modelo de negócio invertido: de agência para plataforma
No passado, as agências eram centros de custo e captação passiva. Agora, as plataformas:
Distribuem produtos de dezenas de emissores e gestoras (o que antes exigia parcerias físicas) Geram receita via fee-based e comissões escaláveis Segmentam e escalam atendimento com tecnologia, reduzindo custos fixos
Esse modelo é o que tornou a XP valiosa: em vez de abrir 1.000 agências, ela criou uma infraestrutura digital com bilhões investidos em tecnologia, acessível a milhões de brasileiros.
4. Disputa de território: bancos vs. plataformas
Bancos tradicionais como Itaú, Bradesco e Santander reagiram lançando suas próprias “plataformas-agência”: Íon, Ágora, Toro, C6 Invest. A disputa, antes geográfica (quem tinha mais agências em mais bairros), passou a ser digital e de experiência do usuário.
5. Conclusão: quem dominar o app, dominará o banco
Hoje, o “endereço” bancário mais valioso não é um CEP de bairro nobre, mas um ícone na tela inicial do celular do cliente. Plataformas de investimento como a XP entenderam isso cedo. No mundo digital, a escala, a inteligência de dados e a experiência fluida substituíram o espaço físico como vantagem competitiva.
Nesse novo mundo, o banco é o smartphone — e as plataformas, suas novas agências.
No mercado brasileiro, existem várias plataformas de investimentos que oferecem serviços semelhantes aos da XP — como corretagem de ações, fundos, produtos de renda fixa, previdência, COEs, entre outros. As principais podem ser divididas em dois grupos:
1. Plataformas independentes ou especializadas (corretoras)
Essas são concorrentes diretas da XP por também atuarem com foco em investimentos:
Plataforma
Destaques
BTG Pactual Investimentos
Forte em alta renda, plataforma digital robusta, com banco por trás
Easynvest by Nubank
Plataforma focada em clientes digitais, adquirida pelo Nubank
Modal (agora parte do XP Inc.)
Foi concorrente, mas foi comprada pela XP em 2023
Ágora (do Bradesco)
Corretora com forte base via banco, usa marca própria
Rico (do grupo XP Inc.)
Mais voltada ao público jovem e iniciantes em investimentos
Clear (também do grupo XP Inc.)
Foco em traders e operações de curto prazo
Toro Investimentos (do Santander)
Plataforma digital com grande ênfase em educação financeira
Guide Investimentos
Foco em assessoria personalizada, também com plataforma digital
2. Bancos com plataformas de investimento integradas
Embora sejam bancos tradicionais, muitos têm plataformas que disputam com a XP:
Banco / Plataforma
Destaques
Itaú Corretora
Forte base de clientes, integração com a Íon e produtos exclusivos
Bradesco Corretora
Oferece produtos próprios e de terceiros
Santander Investimentos
Investe cada vez mais na digitalização
Inter Invest
Corretora do Banco Inter com produtos variados
C6 Invest
Plataforma integrada ao banco digital C6
Estimativa
Se considerarmos plataformas com operação nacional, base relevante de clientes e oferta ampla de produtos, existem cerca de 15 a 20 players relevantes. No entanto, apenas 5 ou 6 têm escala próxima da XP em termos de ativos sob custódia e volume de operações.
Em maio de 2024, o Brasil contava com aproximadamente 258 milhões de smartphones em uso, o que representa uma média de 1,2 aparelho por habitante. Esse número indica que há mais smartphones do que pessoas no país, considerando uma população estimada em cerca de 215 milhões de habitantes.
Além disso, o total de dispositivos digitais ativos no Brasil — incluindo computadores, notebooks, tablets e smartphones — alcançou 480 milhões, resultando em uma média de 2,2 dispositivos por pessoa.
Esses dados refletem a crescente digitalização da sociedade brasileira e a predominância dos smartphones como principal meio de acesso à internet e realização de atividades cotidianas.

