Um dos projetos mais ousados da aviação brasileira começa a ganhar forma em Guaíba (RS), onde a empresa Aeromot anunciou a construção de um grande complexo aeronáutico e tecnológico, com investimento estimado em R$ 3 bilhões ao longo da próxima década. O empreendimento, chamado AeroCITI – Aerocentro Integrado de Tecnologia e Inovação, tem como meta transformar o Rio Grande do Sul em um polo de referência na aviação sustentável, unindo pesquisa, produção industrial e desenvolvimento de novos combustíveis limpos.
O destaque do projeto é a proposta de criar o primeiro avião bimotor movido a etanol do mundo. O modelo está em fase de pesquisa e promete unir a tradição aeronáutica gaúcha com a vocação brasileira para o etanol de cana-de-açúcar, um biocombustível renovável, abundante e de baixo custo. A Aeromot aposta que a substituição parcial ou total do querosene de aviação por etanol pode reduzir as emissões de carbono em até 80%, tornando o país pioneiro em um novo segmento da aviação verde.
Além do desenvolvimento do avião movido a etanol, o AeroCITI abrigará linhas de montagem de aeronaves leves e executivas, hangares de manutenção, um centro de pesquisa e um museu do avião a céu aberto. A meta é produzir 50 aeronaves por ano até 2032, combinando fabricação nacional com parcerias tecnológicas internacionais. O projeto prevê ainda um ambiente de inovação com startups e universidades locais, promovendo a integração entre engenharia, biotecnologia e energia limpa — um verdadeiro ecossistema de inovação aeronáutica brasileira.
A Aeromot, fundada em Porto Alegre e com mais de quatro décadas de experiência em manutenção e certificação de aeronaves, vem se posicionando como protagonista dessa nova era da aviação sustentável. A empresa já foi responsável por modelos de treinamento usados pela Força Aérea Brasileira e agora aposta na transição energética como diferencial competitivo. O avião a etanol representa, para a Aeromot, a convergência entre a herança técnica da Embraer, o domínio brasileiro sobre biocombustíveis e o espírito inovador do Sul.
O projeto de Guaíba simboliza uma nova fronteira da indústria nacional: transformar ciência em produto, energia em tecnologia e inovação em desenvolvimento regional. Ao unir a potência agrícola do etanol à engenharia aeronáutica, o Brasil busca se posicionar como referência global na aviação de baixo carbono. Se bem-sucedido, o avião movido a etanol gaúcho poderá alçar voo como ícone de soberania tecnológica e transição ecológica, levando o nome do país a novos céus — limpos, sustentáveis e genuinamente brasileiros.
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