O BNDES e o BNB foram fundamentais para o desenvolvimento dos parques eólicos do Nordeste

A participação do BNDES foi crucial para o crescimento do setor eólico no Brasil, pois forneceu incentivos de diversas modalidades para atrair empreendedores estrangeiros e nacionais para geração e localização da produção de componentes dos aerogeradores e financiou a maior parte dos parques hoje existentes. Os incentivos providos pelo governo, como a promoção de leilões de compra e venda de energia eólica, estimulando a demanda, e a linha de apoio financeiro do BNDES para a geração de energia eólica, no caso dos equipamentos produzidos no Brasil foram fundamentais para o avanço do uso desse tipo de energia. O sucesso da conjunção desses esforços pode ser verificado pelo aumento da participação da energia eólica na matriz energética do país, superando hoje por exemplo a capacidade produtiva da Usina de Itaipu. Um aspecto adicional resultante desse desenvolvimento foi a desconcentração dos investimentos em locais de baixo índice de desenvolvimento humano (IDH), em particular no Nordeste.

Em 2001, atrelado à crise de energia, foi lançado o Programa Emergencial de Energia Eólica (Proeólica) para incentivar a geração de energia eólica, por meio da Medida Provisória 2.198-3, de junho de 2001. Essa medida criava a Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica, do Conselho de Governo, estabelecia diretrizes para programas de enfrentamento da crise de energia elétrica e dava outras providências. o desenvolvimento das fontes de energias alternativas no Brasil somente começou a ganhar fôlego com a Lei 10.438, de abril de 2002, ano do surgimento do Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa). Esse programa estabelecia que a Eletrobras, diretamente ou por intermédio de suas subsidiárias, deveria contratar a aquisição da energia a ser produzida por empreendimentos de geração de energia eólica, até o limite de 1.100 MW. A partir de 2004, já sob o Novo Modelo do Setor Elétrico (Lei  10.848/2004), o Proinfa ganhou força e foi relançado pelo Decreto 5.025/2004. O governo começou a contratar energia renovável por meio de leilões a fim de aumentar a concorrência entre os participantes do setor elétrico para a redução da tarifa aos consumidores. Paralelamente, o governo forneceu um pacote de estímulos ao setor, incluindo redução de tributos e financiamentos de longo prazo. Entre 2004 e 2009, houve um grande progresso no desenvolvimento tecnológico no setor de energia eólica no exterior, o que tornou essa fonte mais viável financeiramente. Em decorrência desses avanços, em 2009, a energia eólica entrou definitivamente na matriz elétrica brasileira e no mapa da indústria nacional. No Brasil, a energia passou a ser negociada em leilões de forma crescente e a preços bastante competitivos.

Após os primeiros anos de apoio, o BNDES alterou a metodologia de credenciamento até então adotada e passou a aplicar critérios específicos para o setor eólico em 2013. Os objetivos para essa mudança foram: incentivar maior conteúdo tecnológico a ser produzido no país, estabelecer regras uniformes e transparentes para todos os fabricantes, dinamizar a cadeia de fornecedores, atraindo empresas estrangeiras e nacionais, e gerar um maior número de empregos na indústria. Atualmente, a energia eólica é a fonte alternativa que apresenta o maior crescimento no país nos últimos anos. Entre 2014 e 2016, a capacidade instalada do setor cresceu 79,7%. Segundo dados do Operador Nacional do Sistema (ONS), em 14 de setembro de 2017, por exemplo, as eólicas abasteceram 64% da demanda média do Nordeste. Até dezembro de 2017, tinham sido instaladas quinhentas usinas eólicas no Brasil, das quais cerca de quatrocentas estão instaladas no Nordeste.

referências:

PRArt_Desenvolvimento do setor eólico no Brasil_compl

https://cenarioseolica.editorabrasilenergia.com.br/2021/03/18/panorama-da-oferta-de-credito-para-projetos-eolicos-em-2021/

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