O Brasil da indústria e dos serviços está estagnado

Hoje é quarta-feira, dia de COPOM. À noite, teremos finalmente a notícia de se os juros começarão a cair ou não. Vamos aguardar o comunicado do Banco Central para ter alguma indicação sobre a flexibilização que pode começar nas próximas reuniões, em Agosto ou Setembro. Vale lembrar que nos últimos doze meses a inflação teve uma queda de quase oito pontos percentuais, acumulando um valor abaixo de 4%. As expectativas de inflação também caíram bastante, chegando mais próximas 5% para este ano, em comparação aos 6% do último mês. Os núcleos da inflação começaram a cair, embora ainda estejam relativamente elevados. Os preços no atacado também estão em deflação, o que é importante. Todas essas informações estarão presentes no comunicado do COPOM, que será divulgado hoje, e na ata que será divulgada na próxima terça-feira. A questão é saber como o COPOM vai se posicionar em relação a essa mudança de cenário que temos observado nos últimos dias. Vale ressaltar o monitor do PIB da FGV, que saiu ontem, indica uma queda de 1,2% em abril. Essa queda é significativa. Temos, na verdade, dois Brasis: um ligado às commodities, ao agronegócio, ao minério de ferro e ao petróleo, que está crescendo bem e teve um crescimento de 20% no primeiro trimestre. Porém, temos também o Brasil da indústria e dos serviços, que está estagnado. A pesquisa mensal de serviços caiu em abril e a produção industrial também teve queda. Agora, o monitor do PIB da FGV mostra essa queda de 1,2% em Abril.

Além disso, o investimento, a formação bruta de capital fixo, que engloba máquinas, equipamentos, fábricas e prédios, também está em seu patamar mais baixo desde junho de 2020, representando 16,6% do PIB. Isso é uma preocupação, já que essa parte da economia é sensível às taxas de juros. Por isso, o Banco Central deve cortar os juros, pois o coração da economia brasileira não está indo bem. Apesar do desempenho positivo das commodities, do petróleo e do agronegócio, a parte do crédito, do emprego e da renda, especialmente na indústria, está parada. Temos, portanto, dois Brasis nesse sentido. Hoje, esperamos que algo seja dito sobre isso no comunicado do COPOM. Ontem, a bolsa teve uma leve queda, chegando a 119 mil pontos. Vale, Gerdau e ações ligadas a commodities tiveram destaque negativo, principalmente devido a uma certa decepção com o crescimento na China e as medidas adotadas pelo país. O preço do petróleo também teve uma leve queda, chegando a 76 dólares. O volume negociado ontem foi de 25 bilhões de reais. Por outro lado, o índice small caps subiu. O índice que acompanha o desempenho das pequenas e médias empresas brasileiras, que são mais influenciadas pelo ciclo de juros, tem subido bastante. Existe a visão de que estamos entrando em um ciclo de cortes de juros, o que tem impulsionado essas ações.

Também vale destacar os dados da construção civil nos Estados Unidos, que saíram ontem e mostraram um desempenho muito forte. O setor imobiliário americano está se recuperando. A queda nos preços das casas, que vinha ocorrendo nos últimos meses, está diminuindo, e agora temos dados de aumento na construção de novas casas, com uma alta de 20%. Isso mostra que o mercado imobiliário americano está ganhando força. A economia americana está longe de enfrentar uma grande crise, como uma bolha imobiliária, como vimos em 2008, 2009 e 2010. Por outro lado, mais aumentos das taxas de juros por lá preocupam e já foram mencionados na última Ata do FOMC. Hoje vários diretores do Fed vão falar e podem trazer um discurso mais duro. O presidente do Fed, Jerome Powell, também vai falar no congresso americano, então o mercado estará atento a isso. Existe uma grande expectativa sobre qual será o próximo passo da autoridade monetária americana em julho. Acredito que o mais provável é que eles não aumentem as taxas de juros e as mantenham em 5,25%. No entanto, o mercado está um pouco preocupado com isso. É importante ressaltar que a bolsa americana já recuperou todas as quedas que ocorreram desde o início do ciclo de alta dos juros nos Estados Unidos, há mais de um ano atrás. Na época, a bolsa americana caiu cerca de 20%. Hoje, ela está de volta aos níveis em torno de 4.300 pontos, anulando todas as quedas desde o início do ciclo de alta. A postura do Banco Central não favorece muito essa situação, pois eles veem um mercado de ações muito otimista e prefeririam ver um mercado financeiro mais estável e menos exuberante. É importante registrar que a bolsa americana voltou aos níveis máximos, como se esse ciclo de alta dos juros não tivesse ocorrido. Isso se deve principalmente às empresas de tecnologia e à onda de inteligência artificial. Podemos mencionar o caso da empresa NVIDIA que atingiu um valor de mercado de um trilhão de dólares. O hype em torno da inteligência artificial tem impulsionado muito as ações de tecnologia nos Estados Unidos e certamente contribuiu para o rali das bolsas americanas.

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