O Brasil não consegue subir a Escada Tecnológica, por isso é pobre!

*trecho de meu novo livro escrito com o brilhante economista André Roncaglia

A pesca de pequeno porte, por exemplo, é uma atividade extrativa que envolve apenas extrair da natureza algo que ela produziu. O esforço criativo é reduzido e as habilidades requeridas envolvem uma combinação de conhecimento dos rios e dos mares para navegação, do funcionamento do barco e como manipular as redes lançadas sobre as águas. Não se trata de uma atividade fácil ou pouco exigente. Ao contrário, requer muito esforço físico e muita destreza na relação com a natureza: lembremo-nos do filme Mar em Fúria com George Clooney. Mais tempo na água, é menos tempo com os livros: é muito esforço sem recompensa garantida. Salários de pescadores são baixos apesar do gigantesco esforço. Conforme subimos a escada tecnológica em direção a produtos processados, ao queijo e aos cosméticos por exemplo, vamos adicionando camadas de sofisticação e etapas de produção, envolvendo processos mais complicados e que requerem maior conhecimento para que tudo saia como desejado pela sociedade e pelos consumidores; são produtos de baixa e média intensidade tecnológica que em geral pagam maiores salários e trazem mais produtividade aos trabalhadores em processos fabris de produção. Mais acima na escada encontramos a nata do conhecimento e do conteúdo tecnológico. O último estágio dessa subida é representado por produtos de alta intensidade tecnológica, fortemente industrializados e que em geral demandam também serviços muito sofisticados. Por exemplo medicamentos e aparelhos de Raio-X, cujas produções requerem os mais qualificados conhecimentos e máquinas de altíssima precisão.

Nestes exemplos retirados do Atlas da Complexidade Econômica podemos entender porque alguns países conseguem enriquecer e outros não e porque o Brasil parou no tempo. A Holanda, por exemplo, se industrializou muito, e e´ capaz de produzir bens de média e alta tecnologia como máquinas de Raio-X e medicamentos (bem não ubíquos). A Argentina, por outro lado, está no estágio da renda média, produzindo bens de baixa densidade tecnológica (ou low-tech) e de média intensidade (medium tech) como alimentos processados e ceras de sapato; o Brasil também se encontra nesse estágio hoje. Gana, na África, é um país muito pobre, onde a pesca ainda constitui importante fonte de renda e de nutrição para a população. A Holanda também faz queijos excelentes, ceras de sapato e tem um razoável setor pesqueiro. Consegue fazer o que todos conseguem fazer, mas também faz mais coisas que poucos países no mundo são capazes de fazer.

Livro novo, Brasil uma economia que não aprende

 

Deixe uma resposta