O Brasil sobre Estradas de Terra: o Retrato da Infraestrutura Rodoviária do País

Os dados consolidados sobre a malha rodoviária brasileira revelam um quadro bastante claro sobre a infraestrutura de transporte do país. O Brasil possui aproximadamente 1,57 milhão de quilômetros de rodovias, mas apenas cerca de 220 mil quilômetros são pavimentados. Em outras palavras, menos de 15% da malha rodoviária nacional tem pavimento. O restante — mais de 1,34 milhão de quilômetros — é formado por estradas não pavimentadas. Esse número por si só já indica o enorme desafio logístico e de infraestrutura que o país enfrenta.

A distribuição dessas estradas também mostra um aspecto importante: a imensa maioria da malha rodoviária brasileira é municipal. São cerca de 1,26 milhão de quilômetros de rodovias municipais, o que corresponde a mais de 80% de todas as estradas do país. Entretanto, quase toda essa rede é composta por vias não pavimentadas. Apenas 26 mil quilômetros de estradas municipais têm pavimento, o que representa uma fração muito pequena da rede local. Na prática, grande parte da circulação de pessoas e mercadorias em áreas rurais e cidades pequenas ocorre em estradas de terra.

As rodovias estaduais somam cerca de 225 mil quilômetros, com uma proporção maior de pavimentação. Aproximadamente 120 mil quilômetros são pavimentados, enquanto cerca de 105 mil permanecem sem pavimento. Já a rede federal é relativamente pequena em comparação ao restante da malha: cerca de 81 mil quilômetros, dos quais 73 mil são pavimentados. Ou seja, o governo federal administra uma parcela menor das estradas, mas com um nível de pavimentação muito mais elevado.

Outro aspecto relevante é a participação das concessões privadas. Atualmente, apenas 26,8 mil quilômetros de rodovias pavimentadas estão concedidos, o que representa pouco mais de 12% das rodovias pavimentadas do país. Essa participação é bastante desigual entre os níveis de governo. Nas rodovias municipais praticamente não há concessões. Nas rodovias estaduais cerca de 11,5% das estradas pavimentadas são concedidas, enquanto nas rodovias federais esse percentual chega a quase 18%.

Os dados também mostram que a grande maioria das rodovias pavimentadas ainda está sob administração direta do poder público, com cerca de 193 mil quilômetros não concedidos. Isso revela que, apesar do avanço dos programas de concessão nas últimas décadas, o modelo de gestão predominante da infraestrutura rodoviária brasileira ainda é estatal.

Quando se observa a estrutura da malha como um todo, emerge um retrato típico de um país continental com forte dependência do transporte rodoviário, mas com baixa densidade de infraestrutura de qualidade. O Brasil transporta grande parte de sua produção — especialmente agrícola e mineral — por rodovias, muitas delas em condições precárias. Isso gera custos logísticos elevados, perda de competitividade e dificuldades de integração territorial.

Em síntese, os números mostram que o principal desafio da infraestrutura rodoviária brasileira não está apenas na concessão ou na gestão das estradas existentes, mas sobretudo na expansão e qualificação da pavimentação, especialmente no nível municipal. Sem um grande esforço de investimento e coordenação federativa, o país continuará dependendo de uma malha logística extensa, porém majoritariamente composta por estradas de terra, o que limita o desenvolvimento regional e encarece a produção nacional.

*dados de 2023

1 thought on “O Brasil sobre Estradas de Terra: o Retrato da Infraestrutura Rodoviária do País”

  1. É um absurdo isso. Seria bom se parte das reservas pudessem ser utilizadas, pelo menos, para a melhoria das rodovias que escoam as commodities.

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