O Brilho da empresa de MicroChips de Taiwan (TSMC)

O IBC-Br divulgado nesta quinta-feira, 16 de outubro, mostrou alta de 0,4% em agosto, sinalizando nova expansão da atividade econômica brasileira. O indicador do Banco Central, considerado uma prévia do PIB, reforça a tendência de crescimento no terceiro trimestre, acompanhando os bons resultados do varejo e dos serviços divulgados nesta semana. O quadro confirma que a economia segue em movimento positivo, ainda que em ritmo moderado.

No cenário internacional, o destaque do dia foi o resultado da TSMC, gigante taiwanesa de semicondutores, que registrou lucro 30% acima do esperado e forte aumento nas vendas, impulsionado pela demanda por chips de inteligência artificial. A empresa rompeu a marca de US$ 1 trilhão em valor de mercado, juntando-se ao seleto grupo das companhias mais valiosas do mundo — dominado pelas “Sete Magníficas” americanas e pela Saudi Aramco.

A história da TSMC é também a história do sucesso da política industrial de Taiwan. Desde os anos 1970 e 1980, o governo da ilha criou o Instituto de Desenvolvimento Industrial e fomentou um ecossistema de centenas de empresas dedicadas a circuitos integrados, eletrônicos e semicondutores. A TSMC é o resultado mais emblemático dessa estratégia: um caso exemplar de industrialização planejada e inovação orientada pelo Estado, capaz de transformar uma pequena ilha de 27 milhões de habitantes em potência tecnológica global.

Hoje, a TSMC está na fronteira da indústria mundial, construindo fábricas de US$ 5 a 15 bilhões nos Estados Unidos e competindo diretamente com a Nvidia na produção de chips de IA. O avanço da empresa simboliza a força de uma política industrial coerente e de longo prazo — algo que contrasta com outras economias asiáticas, como a Coreia do Sul, cuja maior empresa, a Samsung, vale cerca de US$ 500 bilhões, metade da TSMC.

Nos Estados Unidos, o Livro Bege do Federal Reserve, divulgado ontem, mostrou sinais de moderação da atividade econômica, o que aumentou as apostas em novo corte de juros na próxima reunião. A desaceleração medida pelos 12 distritos regionais do Fed — como Dallas, Chicago, Nova York e São Francisco — sugere que a economia está perdendo fôlego, reforçando a expectativa de alívio monetário.

Por fim, os mercados globais continuam surfando o rali impulsionado pela inteligência artificial, com valorização expressiva das empresas de tecnologia. Muitos analistas discutem se esse movimento já configura uma bolha semelhante à da “.com” dos anos 1990. Mas, se o paralelo for válido, o momento atual parece se assemelhar mais a 1996-97 — o meio da euforia — do que ao seu colapso em 2001. Como sempre, só o tempo dirá.

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