O “carro voador” brasileiro é uma aeronave elétrica de decolagem e pouso vertical (eVTOL) desenvolvida pela Eve Air Mobility, uma empresa criada pela Embraer para liderar o setor de Mobilidade Aérea Urbana (UAM). A Eve nasceu em 2020 como um spin-off da EmbraerX, incubadora de projetos disruptivos da Embraer, combinando a agilidade de uma startup com o know-how de mais de 50 anos da fabricante brasileira de aeronaves. A empresa tem como missão desenvolver soluções completas para transporte aéreo urbano, incluindo aeronaves, infraestrutura e sistemas de gerenciamento de tráfego aéreo.
O eVTOL da Eve é projetado para transportar até quatro passageiros e um piloto, com alcance estimado de 100 km. A aeronave é 100% elétrica, silenciosa e visa reduzir o congestionamento urbano e as emissões de carbono. Com janelas amplas e design moderno, oferece uma experiência de voo confortável e panorâmica. A empresa já possui quase 3.000 intenções de compra, incluindo pedidos de companhias como a United Airlines, com planos de iniciar operações comerciais em 2026.
A primeira fábrica da Eve será instalada em Taubaté, no interior de São Paulo, em uma área da Embraer que será ampliada para abrigar a linha de produção dos eVTOLs. A escolha de Taubaté se deve à proximidade com São José dos Campos, onde estão localizados o centro de engenharia da Embraer e a sede administrativa da Eve. A planta industrial está sujeita à aprovação das autoridades locais, mas representa um passo importante para consolidar o Brasil como líder na produção de aeronaves elétricas.
A história da Embraer está intimamente ligada ao Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e ao Centro Técnico Aeroespacial (CTA), hoje Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), ambos localizados em São José dos Campos. O ITA, fundado em 1950, é uma das principais instituições de ensino superior em engenharia do Brasil, formando profissionais altamente qualificados que contribuíram para o desenvolvimento da Embraer e do setor aeroespacial nacional.
O DCTA, criado em 1953, é o centro de pesquisa e desenvolvimento da Força Aérea Brasileira, responsável por projetos estratégicos nas áreas de aviação e espaço. A sinergia entre o ITA, o DCTA e a Embraer transformou São José dos Campos em um polo de excelência em engenharia e inovação, atraindo investimentos e talentos para a região.
O projeto do “carro voador” da Eve representa a continuidade dessa tradição de inovação e excelência. Combinando a experiência da Embraer, a formação de engenheiros do ITA e o suporte tecnológico do DCTA, a Eve está posicionada para liderar a revolução da mobilidade aérea urbana, oferecendo soluções sustentáveis e eficientes para os desafios do transporte nas grandes cidades.
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou, entre 2022 e 2024, um conjunto de financiamentos que totalizam R$ 1,19 bilhão para a Eve Air Mobility, subsidiária da Embraer dedicada ao desenvolvimento de aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical (eVTOLs), popularmente conhecidas como “carros voadores”. Esses recursos visam apoiar desde a pesquisa e desenvolvimento até a instalação da fábrica e a produção inicial dos veículos.
O primeiro aporte, de R$ 490 milhões, foi aprovado em 2022 para financiar as etapas iniciais de pesquisa e desenvolvimento do projeto eVTOL da Eve. Esse financiamento foi estruturado por meio de linhas de crédito do BNDES voltadas à inovação, incluindo recursos do Fundo Clima e da Linha Finem – Incentivada A/Inovação.
Em outubro de 2024, o BNDES aprovou um segundo financiamento de R$ 500 milhões para a construção da fábrica da Eve em Taubaté, interior de São Paulo. A unidade industrial será responsável pela produção dos eVTOLs, com capacidade inicial prevista de até 480 aeronaves por ano, expandindo-se em módulos de 120 unidades conforme a demanda. A fábrica será alimentada por energia limpa e renovável, alinhando-se ao compromisso da empresa com a sustentabilidade.
Posteriormente, em dezembro de 2024, a Eve recebeu um terceiro financiamento de R$ 200 milhões do BNDES, com recursos do Fundo Clima. Esse montante será destinado à fabricação dos próximos protótipos da aeronave e à realização de testes para certificação, etapas essenciais para a entrada em operação comercial prevista para 2026.
O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, destacou que o apoio à Eve reforça o compromisso do governo brasileiro com projetos inovadores e sustentáveis, promovendo a descarbonização e o fortalecimento da indústria nacional. O diretor de Desenvolvimento Produtivo, Inovação e Comércio Exterior do BNDES, José Luís Gordon, ressaltou que o projeto da Eve se enquadra na modalidade “indústria verde” do Fundo Clima, que prevê investimentos em desenvolvimento tecnológico voltados à redução de emissões de gases de efeito estufa.
Com esses financiamentos, a Eve consolida sua posição como líder no setor de mobilidade aérea urbana, acumulando cartas de intenção para 2.900 eVTOLs de 30 clientes em 13 países, representando um potencial de US$ 14,5 bilhões em receita. A empresa planeja iniciar as operações comerciais de seus “carros voadores” em 2026, oferecendo uma alternativa de transporte urbano eficiente, silenciosa e sustentável.


