O desafio do emprego no Brasil

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua aponta que a taxa de desemprego no Brasil ficou em 9,8% no trimestre móvel encerrado em maio. O recuo foi de 1,4 ponto percentual em relação ao trimestre de dezembro de 2021. Esta foi a menor taxa de desocupação para um trimestre encerrado em maio desde 2015, quando o indicador registrou 8,3%. O Brasil tem hoje 10,6 milhões de pessoas desempregadas. A subocupação por insuficiência de horas trabalhadas atinge um contingente de 6,6 milhões de pessoas; significa que os trabalhadores gostariam de trabalhar muito mais só que não encontram as oportunidades. A população desalentada que desistiu de procurar emprego está em 4,3 milhões de pessoas, uma queda de 8,0% em relação ao trimestre anterior. O número de empregados com carteira de trabalho assinada no setor privado subiu 2,8% no trimestre, para 35,6 milhões de pessoas. Por outro lado, o número de empregados sem carteira assinada no setor privado foi o maior da série, com 12,8 milhões de pessoas. Os trabalhadores por conta própria ficaram estáveis em 25,7 milhões de pessoas no trimestre, mas o contingente subiu 6,4% na comparação anual. As trabalhadoras domésticas são 5,8 milhões, número estável em relação ao trimestre anterior e 20,8% maior na comparação anual, com a entrada de 995 mil pessoas nesse setor. Os empregadores subiram 4,1% frente ao trimestre anterior, chegando a 4,2 milhões de pessoas. O setor público emprega 11,6 milhões de pessoas. Com isso, a taxa de informalidade ficou em 40,1% da população ocupada, contra 40,2% no trimestre anterior e 39,5% no mesmo trimestre de 2021. No trimestre móvel encerrado em maio, o Brasil tinha 39,1 milhões de trabalhadores informais. A força de trabalho foi estimada em 108,1 milhões de pessoas, o maior contingente da série histórica. Apesar do aumento na ocupação, o rendimento real médio do trabalho no Brasil teve queda de 7,2% no ano, com o valor de R$ 2.613.

A melhora da qualidade de empregos e aumento de salários no Brasil só virá quando conseguirmos retomar um processo de crescimento econômico e sofisticação produtiva. Num primeiro momento de desenvolvimento econômico as economias pobres empregam a maioria de seus trabalhadores na agricultura com salários baixos. O progresso se dá num segundo momento pela industrialização; trabalhadores são transferidos dos setores agrícolas de subsistência para manufaturas com produtividade mais elevada. Parte das pessoas que migram para as cidades não conseguem empregos na manufatura e vão para o setor de serviços menos sofisticados (varejo, garçons, atendentes). Se o processo de desenvolvimento avança, novos empregos são criados em manufaturas high tech e serviços sofisticados (finanças, advocacia, marketing, TI, design). A disseminação de empregos em setores de manufatura high tech e serviços sofisticados, de alta produtividade, puxam para cima também os salários dos outros setores. Alguns países não conseguem chegar nesse estágio e ficam presos no que os economistas chamam a armadilha de renda média, com indústrias de mais baixa complexidade tecnológica e serviços de baixa complexidade: é o caso do Brasil. Passamos por um vigoroso processo de industrialização, mas não conseguimos passar de um nível de domínio tecnológico intermediário. Um país rico é aquele que domina alguns nichos de indústrias altamente sofisticadas e serviços também altamente sofisticados que caminham de mãos dadas com as indústrias high tech. Países mais ricos são capazes de produzir bens sofisticados e não sofisticados, países mais pobres são capazes de produzir apenas os bens de baixa sofisticação. Setores manufatureiros high tech e de serviços sofisticados são capazes de pagar salários muito altos.

Países ricos empregam muita gente em seus setores manufatureiros e de serviços sofisticados e têm uma estrutura produtiva complexa. Países pobres não foram capazes de constituir uma estrutura produtiva complexa para empregar seus trabalhadores em setores sofisticados capazes de pagar salários mais elevados. China e Índia têm uma porcentagem baixíssima da população em setores de serviços sofisticados e uma população total enorme. Conseguiram avançar no emprego de trabalhadores no setor manufatureiro e estão caminhando aceleradamente na construção de um sistema produtivo complexo. No outro extremo existem países como Alemanha, Coreia do Sul e Japão com um enorme setor de serviços sofisticados, muita gente empregada no setor manufatureiro e uma estrutura produtiva altamente complexa. No Brasil a situação do emprego só vai melhorar de fato se voltarmos a crescer num processo de sofisticação produtiva voltada tanto para o mercado doméstico quanto mundial; não será tarefa fácil.

 

Ideias chave

1)desemprego caiu para 9,8% no Brasil

2)subocupação continua muito elevada

3)o rendimento real médio do trabalho no Brasil teve queda de 7,2% no ano, com o valor de R$ 2.613

4) A melhora da qualidade de empregos e aumento de salários no Brasil só virá quando conseguirmos retomar um processo de crescimento econômico e sofisticação produtiva.

5) Países ricos empregam muita gente em seus setores manufatureiros e de serviços sofisticados e têm uma estrutura produtiva complexa

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