O desafio do emprego no Brasil

A melhora da qualidade de empregos e aumento de salários no Brasil só virá quando conseguirmos retomar um processo de crescimento econômico e sofisticação produtiva. Num primeiro momento de desenvolvimento econômico as economias pobres empregam a maioria de seus trabalhadores na agricultura com salários baixos. O progresso se dá num segundo momento pela industrialização; trabalhadores são transferidos dos setores agrícolas de subsistência para manufaturas com produtividade mais elevada. Parte das pessoas que migram para as cidades não conseguem empregos na manufatura e vão para o setor de serviços menos sofisticados (varejo, garçons, atendentes). Se o processo de desenvolvimento avança, novos empregos são criados em manufaturas high tech e serviços sofisticados (finanças, advocacia, marketing, TI, design). A disseminação de empregos em setores de manufatura high tech e serviços sofisticados, de alta produtividade, puxam para cima também os salários dos outros setores. Alguns países não conseguem chegar nesse estágio e ficam presos no que os economistas chamam a armadilha de renda média, com indústrias de mais baixa complexidade tecnológica e serviços de baixa complexidade: é o caso do Brasil. Passamos por um vigoroso processo de industrialização, mas não conseguimos passar de um nível de domínio tecnológico intermediário. Um país rico é aquele que domina alguns nichos de indústrias altamente sofisticadas e serviços também altamente sofisticados que caminham de mãos dadas com as indústrias high tech. Países mais ricos são capazes de produzir bens sofisticados e não sofisticados, países mais pobres são capazes de produzir apenas os bens de baixa sofisticação. Setores manufatureiros high tech e de serviços sofisticados são capazes de pagar salários muito altos.

Países ricos empregam muita gente em seus setores manufatureiros e de serviços sofisticados e têm uma estrutura produtiva complexa. Países pobres não foram capazes de constituir uma estrutura produtiva complexa para empregar seus trabalhadores em setores sofisticados capazes de pagar salários mais elevados. China e Índia têm uma porcentagem baixíssima da população em setores de serviços sofisticados e uma população total enorme. Conseguiram avançar no emprego de trabalhadores no setor manufatureiro e estão caminhando aceleradamente na construção de um sistema produtivo complexo. No outro extremo existem países como Alemanha, Coreia do Sul e Japão com um enorme setor de serviços sofisticados, muita gente empregada no setor manufatureiro e uma estrutura produtiva altamente complexa. No Brasil a situação do emprego só vai melhorar de fato se voltarmos a crescer num processo de sofisticação produtiva voltada tanto para o mercado doméstico quanto mundial; não será tarefa fácil.

 

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