A tese de doutorado de Uallace Moreira Lima, intitulada “Desenvolvimento capitalista e inserção externa na Coreia do Sul: a economia política da diversificação industrial e do comércio exterior de bens de capital (1974-1989)”, analisa o modelo de desenvolvimento sul-coreano entre 1973 e 1989, com ênfase na indústria de bens de capital, setor intensivo em tecnologia.
Moreira Lima identifica três correntes teóricas que interpretam o desenvolvimento econômico da Coreia do Sul:
1. Corrente Neoclássica: Defende que o sucesso econômico coreano resulta de uma economia orientada pelos princípios de mercado, seguindo um modelo de desenvolvimento voltado para fora (export-led), com mínima intervenção estatal.
2. Corrente Heterodoxa Endogenista: Atribui o sucesso ao papel central do Estado como planejador e executor de políticas industriais e comerciais, promovendo a transformação estrutural da economia.
3. Corrente do Cenário Externo Favorável: Argumenta que o desenvolvimento coreano foi facilitado por um ambiente externo propício, incluindo relações econômicas e políticas estratégicas com países como Estados Unidos e Japão.
A tese propõe uma síntese das correntes heterodoxas, enfatizando a importância da política industrial e de comércio exterior da Coreia do Sul. Moreira Lima destaca que o governo sul-coreano implementou uma gestão planejada e calculista, utilizando grandes conglomerados empresariais (chaebols) como agentes principais na exportação de capitais e na absorção de tecnologia. Essa estratégia permitiu à Coreia do Sul avançar na produção e exportação de bens de capital, promovendo a substituição de importações e fortalecendo sua competitividade internacional.
Além disso, a tese analisa o comércio exterior setorial para avaliar a validade das hipóteses das diversas correntes teóricas sobre a economia coreana, propondo uma interpretação que reconhece a complexidade e a especificidade do modelo de desenvolvimento adotado pelo país.
Em resumo, Uallace Moreira Lima argumenta que o sucesso econômico da Coreia do Sul entre 1973 e 1989 deve-se a uma combinação de políticas industriais estratégicas, intervenção estatal eficaz e aproveitamento de um cenário externo favorável, resultando em uma profunda transformação estrutural e na consolidação da indústria de bens de capital como pilar do desenvolvimento nacional.

