Nos EUA, a Treasury de 30 anos superou a marca de 5% ao ano, atingindo o maior patamar desde 2006. Esse nível já ultrapassa o pico observado durante a eleição de Donald Trump em 2016, enquanto a Treasury de 10 anos, embora pressionada, ainda oscila abaixo daquele estresse, girando em torno de 4,4% a 4,5%.
Na Europa, o juro de 30 anos da Alemanha também subiu fortemente, alcançando a máxima em quase 20 anos, refletindo, em parte, os pacotes de estímulo fiscal, especialmente voltados para defesa e transição energética. O Reino Unido sofre ainda mais: o juro de 30 anos britânico já se aproxima de 6%, uma escalada que se intensificou desde a pandemia.
O Japão surpreende. Após décadas de juros ultra baixos, a taxa de 30 anos também subiu para o maior patamar em mais de 30 anos, reflexo do retorno da inflação e do aumento das expectativas fiscais. É um movimento raro e significativo para um país acostumado a juros próximos de zero.
Estamos, portanto, claramente vivendo o fim da chamada “estagnação secular”, um período que durou de aproximadamente 2009 até 2020, quando os juros longos estavam na faixa de 1,5% a 2% nas principais economias desenvolvidas. Esse cenário era sustentado por crescimento baixo, inflação controlada e políticas fiscais restritivas.
O mundo pós-pandemia é outro. É um mundo de juros estruturalmente mais altos, impulsionados por políticas fiscais extremamente expansionistas. Nos EUA, por exemplo, o governo pratica déficits primários de aproximadamente US$ 1 trilhão por ano desde 2021. A conta total de juros da dívida americana também ultrapassa US$ 1 trilhão ao ano. Esse processo começou com os estímulos massivos do governo Biden, mas também se conecta com os cortes de impostos e déficits do governo Trump.
Os chamados “bond vigilantes” — investidores que punem governos gastadores exigindo juros mais altos — estão de volta. E agora, com toda a razão.
Essa nova realidade não afeta apenas os países desenvolvidos. Ontem, por exemplo, um leilão ruim de Treasuries nos EUA gerou aversão a risco global, derrubando bolsas e pressionando os juros longos em mercados emergentes, incluindo o Brasil. Aqui, as taxas de juros longas voltaram a bater 14% ao ano, refletindo mais o estresse externo do que fatores domésticos no momento.
Resumindo, o mundo pós-pandemia é um mundo de dívidas públicas mais altas, maior pressão fiscal, juros longos elevados e um ambiente geopolítico instável, que reforça ainda mais esse novo regime econômico.



Ou seja, estamos diante de uma turbulência dentro do Estado-nação, face ao descontrole das contas pública, em boa parte decorrente das aspirações eleitoreiras de conquista e conservação do poder. O acontecimento está sendo conduzido por forças exógenas ditadas pela atuação automática das leis universais da Criação que sempre atraem as consequências das ações dos indivíduos, dos povos e do conjunto da humanidade, de forma lógica e coerente.