O governo americano conseguirá destruir a Huawei? (não é livre mercado)

*escrito com Uallace Moreira

O violento boicote do governo americano pode significar o começo do fim para a Huawei Technologies Co. Ltd., uma das maiores histórias de sucesso de alta tecnologia da China. Seus principais fornecedores de chips foram formalmente proibidos de vender para a empresa em uma campanha altamente coordenada nos EUA. O primeiro golpe para a Huawei: Os EUA obrigaram a Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC) a parar de fornecer os principais chips que alimentam os smartphones de última geração e equipamentos de rede de telecomunicações da Huawei a partir de 15 de setembro de 2020. A TSMC é a maior fabricante do mundo e tem a Huawei como seu segundo maior cliente, respondendo por 14% de suas vendas. O presidente da TSMC, Mark Liu, disse que a empresa não recebeu novos pedidos da Huawei desde 15 de maio e que a empresa não tinha planos de fornecer à Huawei depois de 14 de setembro. Segundo golpe para a Huawei: Dois dos maiores fabricantes de monitores do mundo, LCD Display Co. Ltd. e Samsung Electronics, também devem parar de fornecer monitores premium para Huawei a partir de 15 de setembro, sob restrições semelhantes dos EUA. O maior desafio para a Huawei será para seu negócio de smartphones, especialmente seus produtos premium. A empresa conquistou a coroa como a maior fabricante mundial de smartphones pela primeira vez no segundo trimestre deste ano, em grande parte com base em seu forte desempenho na China, o maior mercado de smartphones do mundo. Depois que os EUA forçaram o fim do contrato de fornecimento TSMC-Huawei, alguns disseram que a Huawei ainda poderia continuar a fazer telefones com chips de smartphone de baixo desempenho projetados por terceiros, como a Taiwan’s MediaTek. Mas em agosto, os EUA expandiram sua campanha para cortar esse canal, também usando uma ameaça semelhante de proibir as empresas norte-americanas de vender para a empresa. Os EUA também adicionaram 38 afiliadas da Huawei à sua lista de empresas proibidas de fazer negócios com parceiros dos EUA, elevando o total de afiliadas proibidas da Huawei para 152. Por outro lado, a China fez o anúncio do plano de US$ 1,4 trilhão para dominar a indústria mundial de semicondutores até 2025. Esse plano é uma resposta às restrições dos EUA às importações chinesas de chips de computador de ponta feitos com equipamentos americanos.

O plano tem quatro dimensões

https://twitter.com/moreira_uallace/status/1302322975711125504)

1º dimensão: Contratação de milhares de engenheiros de fabricação de chips de Taiwan para trabalhar no continente pagando o dobro.

2º dimensão: Nova aliança de pesquisa com a Rússia, uma potência científica que forma mais engenheiros a cada ano do que os EUA. A Huawei está expandindo suas operações de P&D, principalmente na Rússia, onde também está construindo o sistema nacional de banda larga 5G.

3º dimensão: Um programa de crash sem orçamento para aumentar a produção de chips de última geração na China.

4º dimensão: Linhas de produção de semicondutores eliminadas de equipamentos americanos. A Huawei planeja construir suas próprias fábricas. O projeto de fabricação do chip “Tashan” da Huawei foi em agosto.

Além do plano, é importante considerar o amplo mercado interno da China, quem se fortalecendo cada vez mais, além da influência no mercado asiático, o mais dinâmico na economia mundial atualmente. Essas variáveis podem dar a China elementos para o domínio tecnológico em uma questão de tempo, talvez o suficiente para superar essas sanções.

 

Fonte:

https://www.caixinglobal.com/2020-09-11/huaweis-day-of-reckoning-could-arrive-next-week-101604282.html

 

https://twitter.com/moreira_uallace/status/1302322975711125504

2 thoughts on “O governo americano conseguirá destruir a Huawei? (não é livre mercado)”

  1. Obviamente os EUA, digo o governo, pois Povo é Povo no mundo todo e nada tem a ver com isso, obviamente o governo estadunidense acordou o Dragão para a necessidade de desconexão total da agenda imposta, pois os chineses são soberanos e não sucumbirão de forma alguma. Eu gosto muito do Paulo, do Uallace, do Elias, de todos da RIB, mas não entendo por que vocês não citam a palavra correta e inequívoca: Imperialismo. Não adianta discutir uma agenda nacional como se fosse questão técnica e de saber, como se fosse decisão doméstica. A China está aí para provar que não existe isso. O Brasil não tem como enfrentar o Imperialismo no desenho político atual, independente do desejo improvável do bolsonarismo defender interesses nacionais. Não existe Livre Mercado, isso é fato. Falem sobre o Imperialismo e suas conclusões serão mais pragmáticas porque a questão é Política e não Técnica.

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