O Índice Geral de Preços (IGP) referente ao mês de setembro foi divulgado pela FGV nesta manhã, trazendo boas notícias. A variação foi de 0,18%, uma desaceleração em relação ao 0,72% de agosto, com destaque para as quedas nos preços da soja e do minério de ferro. O preço do petróleo, em torno de 70 dólares, e o minério de ferro, próximo de 90 dólares, têm contribuído para a queda da inflação de commodities. Além disso, a apreciação do real, que passou de R$ 5,80 para R$ 5,60, também ajuda a conter os preços de insumos importados, o que tem um efeito positivo no controle da inflação ao reduzir os preços no atacado.
Essa tendência foi capturada pelo Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que apresentou alta de apenas 0,14%. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) também teve uma variação modesta, de 0,02%, em linha com o IPCA, que estava em deflação em agosto, e com o IPC da FIPE, que registrou inflação de 0,01% na cidade de São Paulo. A queda nos preços ao consumidor tem sido influenciada pela redução nas tarifas de energia elétrica em agosto, embora se espere um aumento em setembro devido à seca severa e à volta da bandeira vermelha nas contas de luz.
O cenário geral reflete a desaceleração econômica tanto na China quanto nos Estados Unidos, o que alivia um pouco a pressão inflacionária no Brasil, facilitando o trabalho do Banco Central no controle da inflação.
Por outro lado, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) acelerou para 0,79%, ante 0,59% no mês anterior, impulsionado pelo aumento nos custos de mão de obra e materiais de construção, evidenciando um setor aquecido e com escassez de mão de obra. O INCC já acumula alta de mais de 6% em 12 meses, o que é preocupante, visto que este índice baliza o mercado de construção civil, impactando contratos de compra de imóveis na planta, entre outros. Esse ambiente inflacionário mais complexo para o país pode dificultar o trabalho do Banco Central.
Com base nesse cenário, é provável que o Banco Central aumente a taxa SELIC em 0,25 pontos percentuais, podendo levá-la a 12%. A justificativa é que é preferível um ciclo menor de alta agora do que uma correção mais intensa no futuro. O mercado de trabalho está aquecido e a economia segue em crescimento, com previsões de PIB acima de 3% para este ano por parte de instituições como Itaú e Bradesco, e até do próprio governo. O crescimento econômico do Brasil é uma excelente notícia, evidenciando um momento positivo para o país.

