O incrível desenvolvimento econômico do Leste europeu: legado “comunista”?

*escrito com Felipe Augusto e Daniel Bispo

Não foi só atraso o que o comunismo deixou na região. Como legado positivo, deixou uma população relativamente mais educada e baixos níveis de desigualdade. Ademais, em vários setores foi gerado conhecimento produtivo na forma de bens de capital e de mão de obra especializada. Tal legado permitiu que estes países se inserissem nas cadeias de valor da Europa Ocidental de forma mais qualificada. Esta conclusão se alinha às evidências deste artigo, o qual mostrou que a integração europeia impactou os países de forma heterogênea. Os países do leste europeu adquiriram capacidades tecnológicas, e o ganho foi maior quanto mais complexos eles já eram antes da integração.

A fábrica que melhor representa o crescimento do leste europeu nos últimos 30 anos é a planta da Audi em Győr, noroeste da Hungria. A Audi investiu em Győr pela primeira vez em 1990, em uma fábrica decadente de máquinas pesadas que se destinavam apenas para os países do bloco comunista. O negócio acabaria decolando com a entrada da Hungria na UE em 2004 e a integração total do país à cadeia de valor da Audi. Todos os Audi TT do mundo são montados em Győr, e motores para outros modelos são fabricados ali e enviados à Alemanha e a outros países para montagem Contudo, existe na regiao uma importante fragilidade: a alta dependência dos países da região em relação à indústria automobilística alemã. A cidade gira em torno da planta. Estima-se que metade da população da cidade em idade para trabalhar dependa dela. Este modelo de crescimento está se esgotando e precisa ser alterado. A ideia é deixar de ser apenas um destino para a terceirização da produção da Europa Ocidental para ser uma região onde ideias e inovações são geradas nativamente.

https://www.google.com/amp/s/br.sputniknews.com/amp/defesa/2019091014499159-tecnologia-sovietica-gera-tensao-entre-eua-e-china/

A Motor Sich é considerada a joia da coroa das empresas industriais que permaneceram em atividade na Ucrânia depois da dissolução da União Soviética.
“Diversos países produzem aviões, porém poucos produzem motores de aviões modernos. Essa é uma arte especial, disponível apenas para os países mais desenvolvidos do mundo. A Ucrânia herdou isso de um poderoso império: a URSS”, escreveu Nikolai Storozhenko, em um artigo para o jornal Vzglyad.

https://www.theguardian.com/world/2019/oct/26/this-is-the-golden-age-eastern-europes-extraordinary-30-year-revival

referencias: https://link.springer.com/article/10.1007/s00191-019-00639-6

historia da Skoda:

https://en.m.wikipedia.org/wiki/%C5%A0koda_Works?fbclid=IwAR3VxmXa1TB53eo4OqpnVbcC_ui_uSgMKOZzQQz4qwWobyGi7psL1xrddAo

1 thought on “O incrível desenvolvimento econômico do Leste europeu: legado “comunista”?”

  1. Muito interessante tratar das transformações nos países do Leste Europeu. No entanto, as dinâmicas são muito mais complexas. Todos esses 10 países citados e que integraram a União Europeia passaram por profundas e dolorosas transições da economia planificada para uma liberal que culminou com a adesão às estruturas euroatlânticas.
    O motor do crescimento tem sido os fundos Phare da UE de coesão, o FDI e as remitences das populações desses países trabalhando, fazendo muitas vezes qualquer coisa, nos países da Europa Ocidental. Só para se ter um exemplo da complexidade da situação, nenhum desses países conseguiu ter saldo em sua balança comercial após a queda do socialismo.

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