O IPCA brasileiro de março foi eclipsado pelo CPI americano

O IPCA brasileiro de março apresentou um desempenho muito positivo, registrando uma taxa de 0,16%, bem abaixo das expectativas do mercado, que estimavam algo em torno de 0,25%. Além disso, houve várias boas notícias, como a redução da difusão de 57% para 55,7%, e a queda nos serviços gerais. Os núcleos de inflação também apresentaram queda, passando de 0,49% para0,16%, o que é bastante positivo. Um destaque foi a queda nas passagens aéreas, que registraram uma redução de 9% em março. No entanto, a má notícia veio dos serviços estruturais, que são menos voláteis e sazonais e apresentaram um aumento de 0,44% para 0,45%, o que é preocupante, pois há uma discussão no Banco Central sobre como o mercado de trabalho aquecido pode se traduzir em mais inflação nos serviços. No entanto, a inflação americana saiu ruim, com o CPI (Índice de Preços ao Consumidor) divulgado em 0,4% para março, enquanto era esperado 0,3%. O núcleo do CPI também registrou uma alta de 0,4%, o que é considerado bastante negativo. Isso gerou estresse no mercado americano de juros, com a taxa de dez anos subindo para 4,5%, um salto impressionante de quase quinze pontos base. O mercado estava mais calmo na segunda metade do pregão de ontem, com as curvas longas cedendo e o dólar voltando para cinco reais. No entanto, o cenário mudou completamente com o dado do CPI mais forte  de março, com a probabilidade de manutenção dos juros em junho subindo para setenta por cento. Isso indica que o mercado não acredita mais em um corte de juros nem em junho nem em julho. O IPCA brasileiro acabou sendo eclipsado pelo CPI americano.

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