O modelo de iceberg é uma metáfora utilizada em economia para explicar os custos de transporte e sua influência no comércio e na produção de bens. A metáfora sugere que, ao transportar um bem, parte dele “derrete” como um iceberg no processo, representando os custos de transporte que se acumulam ao longo da viagem. Essa perda afeta diretamente a quantidade ou o valor do bem que chega ao destino.
No caso dos bens de baixo valor agregado, como commodities ou produtos básicos (grãos, matérias-primas, etc.), o preço final do bem é relativamente baixo. Assim, o custo de transporte tende a ser uma parcela significativa em relação ao valor total do bem. Por isso, transportar esses bens para grandes distâncias pode não ser viável economicamente, uma vez que os custos de transporte podem consumir grande parte do lucro ou até exceder o valor do bem. Isso cria um desincentivo natural para o comércio de bens de baixo valor agregado em longas distâncias.
Por outro lado, bens de alto valor agregado, como produtos manufaturados, tecnologia ou luxo, têm um valor intrínseco muito maior. O custo de transporte, mesmo que absoluto seja o mesmo ou até maior, representa uma parcela menor do preço final. Isso significa que esses bens podem ser transportados para mercados distantes sem que os custos de transporte afetem significativamente a lucratividade. Como resultado, bens de alto valor agregado são mais facilmente comercializados em escala global, pois o impacto proporcional do transporte sobre o preço é pequeno.
Esse fenômeno explica, por exemplo, por que é mais comum ver commodities sendo comercializadas em mercados locais ou regionais, enquanto produtos de alta tecnologia, eletrônicos e itens de luxo são frequentemente transportados internacionalmente. O modelo de iceberg ajuda a entender as dinâmicas do comércio global e como os custos de transporte afetam diferentes tipos de indústrias e produtos.

