The New Role of the State for Transformative Innovation parte do diagnóstico de que os desafios contemporâneos — mudança climática, transição energética, digitalização, desigualdade regional e envelhecimento populacional — não podem ser enfrentados por políticas de inovação neutras ou meramente horizontais. O livro sustenta que o Estado precisa assumir um papel ativo, estratégico e orientado por objetivos sociais amplos. A obra insere-se na tradição da abordagem sistêmica da inovação, que entende inovação como resultado de interações entre empresas, universidades, governo, instituições financeiras e marcos regulatórios. Contudo, avança ao propor que esses sistemas devem ser reorganizados em torno de transformações estruturais, e não apenas de ganhos incrementais de produtividade. O conceito central é o de “transformative innovation policy” (TIP), que difere das políticas tradicionais focadas em falhas de mercado. Em vez de corrigir imperfeições pontuais, a TIP busca redirecionar trajetórias tecnológicas e produtivas em direção a objetivos normativos — como sustentabilidade, inclusão e resiliência. O livro destaca que a política de inovação do pós-guerra priorizou crescimento econômico e competitividade industrial. Embora tenha sido eficaz em estimular avanços tecnológicos, mostrou-se insuficiente para lidar com problemas sistêmicos de natureza ambiental e social. Surge então a necessidade de uma terceira geração de políticas de inovação. A primeira geração foi centrada em ciência; a segunda, em sistemas nacionais e regionais de inovação; a terceira incorpora metas transformadoras e reconhece a dimensão política e social da mudança tecnológica. Um dos eixos teóricos discutidos é a noção de “missões”. Inspiradas em experiências como o programa espacial norte-americano, as missões contemporâneas são orientadas para resolver problemas complexos, mobilizando múltiplos setores e instrumentos de política pública. Diferentemente de políticas industriais clássicas, as missões não se limitam à promoção de setores específicos, mas articulam inovação tecnológica, mudanças institucionais e novos modelos de negócio. Elas exigem coordenação interministerial e mecanismos de governança adaptativa. O livro também enfatiza a importância da experimentação e do aprendizado coletivo. Políticas transformadoras não podem ser rigidamente planejadas; precisam incorporar feedback contínuo, avaliações qualitativas e mecanismos de ajuste dinâmico. A governança assume papel central. Transformações profundas requerem legitimidade democrática e participação social. O Estado não atua isoladamente, mas como orquestrador de redes público-privadas e plataformas colaborativas. Outro ponto fundamental é a direção do investimento público. Recursos públicos devem sinalizar prioridades estratégicas, induzindo o setor privado a investir em áreas alinhadas a objetivos sociais, como energias renováveis ou tecnologias verdes. A obra também aborda o risco de “lock-in” tecnológico. Sistemas produtivos podem ficar presos a trajetórias intensivas em carbono ou tecnologias obsoletas. Políticas transformadoras precisam quebrar essas trajetórias por meio de incentivos, regulação e investimento direcionado. O papel das regiões é amplamente discutido. A transformação não ocorre de forma homogênea; depende de capacidades locais, especializações produtivas e ecossistemas regionais de inovação. Assim, políticas territoriais tornam-se parte essencial da estratégia. O livro destaca ainda que instrumentos financeiros devem ser reconfigurados. Bancos públicos, fundos de inovação e mecanismos de capital paciente são cruciais para sustentar investimentos de longo prazo e alto risco tecnológico. A transição ecológica ocupa posição de destaque. A inovação não é neutra do ponto de vista ambiental; pode tanto acelerar a degradação quanto viabilizar uma economia de baixo carbono. O Estado precisa orientar a inovação para trajetórias sustentáveis. Há também uma crítica à visão linear da inovação. Transformações sistêmicas envolvem múltiplas dimensões — tecnológica, cultural, regulatória e comportamental — exigindo políticas integradas. A obra reconhece os limites institucionais do Estado. Capacidades administrativas, coordenação burocrática e competência técnica são pré-condições para políticas eficazes. Sem fortalecimento institucional, ambições transformadoras tendem a fracassar. O livro explora casos internacionais que ilustram como diferentes países estão experimentando novas formas de política de inovação orientada por missões, destacando sucessos e desafios na implementação. Outro elemento relevante é a mensuração de impacto. Indicadores tradicionais de P&D e patentes são insuficientes para avaliar transformações estruturais. Novas métricas devem capturar mudanças sistêmicas e efeitos sociais. A obra argumenta que inovação é inerentemente política. Decidir quais tecnologias apoiar, quais setores priorizar e quais transições acelerar envolve escolhas distributivas e conflitos de interesse. Em síntese, o livro propõe uma redefinição profunda do papel do Estado: de corretor de falhas de mercado para arquiteto de transformações socioeconômicas. A inovação deixa de ser apenas motor de crescimento e passa a ser instrumento estratégico para moldar o futuro coletivo, orientando a economia rumo a objetivos de longo prazo socialmente definidos.


