O ouro brasileiro foi a maior catástrofe econômica e política de Portugal

O livro do historiador Nuno Palma, “As Causas do Atraso Português,” explora as consequências profundas da descoberta do ouro brasileiro em Portugal. O ouro, embora tenha enriquecido Portugal a curto prazo, distorceu profundamente a economia, contribuindo para o abandono industrial e favorecimento de importações. Nuno Palma não compra essa versão: países católicos, como a Bélgica ou a França, foram casos de sucesso na Europa oitocentista. Se queremos encontrar as raízes do atraso temos de viajar até ao século 18, quando o ouro começou a chegar em quantidades apreciáveis. Sim, no curto prazo, Portugal enriqueceu. Mas a “maldição” desse recurso distorceu a economia de forma profunda, levando ao abandono das fábricas (a industrialização do país que era promissora no último quartel do século 17), ao favorecimento das importações e ao colapso da competitividade pátria. Em meados do século 18, quando o ouro ainda chegava, a economia portuguesa estagnou e Portugal perdia o trem da Revolução Industrial. Estavam abertas as portas para o medonho século 19, feito de guerras civis e bancarrotas. Palma também argumenta que, politicamente, o atraso institucional causado pelo ouro brasileiro foi igualmente significativo. A liquidez do ouro permitiu que a Coroa agisse sem responsabilidade, minando o sistema previamente estabelecido de freios e contrapesos através de representantes municipais que controlavam o comportamento dos monarcas. A experiência com o ouro brasileiro contribuiu para uma cultura portuguesa iliberal, no sentido político do termo,  que transcendeu para a história brasileira, influenciando os desenvolvimentos políticos até o século XX. Vale a leitura!

1 thought on “O ouro brasileiro foi a maior catástrofe econômica e política de Portugal”

  1. Nuno Palma adverte para os riscos do enriquecimento que empobrece. Ótima recomendação, meu caro Paulo

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