Foram divulgados novos dados dos Estados Unidos, com a primeira revisão do PIB do terceiro trimestre — e, de fato, o número veio muito forte. O PIB avançou 4,4% em termos anualizados, reforçando a aceleração do crescimento observada nos últimos quatro ou cinco trimestres. Vou enviar o gráfico para vocês.
Na decomposição, houve uma revisão para cima do investimento (alta de 0,15), em vez de queda. Além disso, o setor externo líquido também melhorou: exportações menos importações contribuíram de forma mais favorável. A parcela do governo, por sua vez, praticamente não mudou.
Em outras palavras: uma economia crescendo a 4,4% ao ano, sendo uma economia de mais de US$ 30 trilhões, não parece compatível com narrativa de crise. A atividade segue robusta.
Também saiu a inflação medida pelo PCE de novembro. O índice cheio subiu 0,2% no mês, exatamente em linha com o esperado. O núcleo (core) também veio em 0,2%. No acumulado em 12 meses, tanto o headline quanto o core estão em 2,8% — novamente, em linha com as expectativas.
Com isso, faz sentido que o mercado esteja precificando uma pausa no ciclo de cortes de juros: a taxa segue em 3,75%. Mas o ponto central é que a economia americana continua firme, sem sinais claros de crise no horizonte e com inflação relativamente controlada.
Isso também ajuda a colocar em perspectiva o debate sobre tarifas. Havia o temor de que choques tarifários gerassem uma inflação descontrolada, mas, por enquanto, o impacto parece bem limitado. Em vários segmentos, fornecedores asiáticos têm reduzido preços em dólar para não perder mercado. Na prática, parte do custo da tarifa acaba sendo absorvida pelo produtor/exportador, e não repassada integralmente ao consumidor americano. O resultado final depende das elasticidades de demanda e da estratégia de precificação dos produtores, mas o padrão observado até aqui é esse: para manter participação de mercado, muitos exportadores reduzem preço, compensando a tarifa, e o efeito sobre a inflação fica menor.
Quando comparamos com episódios recentes, a diferença é clara. O choque inflacionário da pandemia foi dramático — a inflação chegou perto de 8% ao ano — e houve também o impacto do choque de energia associado à guerra na Ucrânia, quando o petróleo disparou. Já o “choque tarifário”, pelo menos até agora, não aparece com a mesma intensidade nos dados. No “ano da graça” de 2025, não houve um choque inflacionário relevante vindo de tarifas, ao menos até o momento.



