O preço dos cortes de cabelo no mundo: Samuelson, Balassa, Baumol e os economistas brasileiros

A tabela acima retirada de um relatório do UBS mostra o preços dos cortes de cabelo em U$ mundo afora em 2015. As diferenças são gigantescas conforme podemos perceber comparando os países de cima e de baixo. A pergunta que fica é: se a produtividade de um cabeleireiro é absolutamente a mesma em todos os lugares do mundo, por que custa tão caro cortar cabelo num país rico? Assumindo que o grosso do custo do corte de cabelo vai para o cabeleireiro, mesmo que o imóvel seja caro e o lucro bom, não é difícil perceber que toda a diferença dos preços de cortes de cabelo está nas diferenças de salários pagos. Mas como os cabeleireiros dos países ricos ganham tanto mais (10x) do que o cabeleireiros do países pobres se eles fazem exatamente a mesma coisa e tem a mesma produtividade física? Quem explicou isso muito bem foram 3 economistas nos anos 60: Paul Samuelson, Bela Balassa e William Baumol. Samuelson e Balassa escreveram quase que simultaneamente o que ficou conhecido na literatura como efeito Balassa Samuelson: os ganhos de produtividade de um economia ocorrem principalmente no setor de bens transacionáveis (manufaturas e commodities) e não no setor de bens nao tradables (serviços). Esses aumentos de produtividade no setor de tradables causa aumento de salários que transborda para o setor de não tradables. Como não há aumento de produtividade no setor de não tradables os preços lá sobem mais do que no setor de tradables: o preço dos cortes de cabelo fica mais caro nos países ricos. Baumol fala a mesma coisa só que usa a divisão serviços e bens. Para Baumol aumento de produtividade ocorre principalmente no setor de bens. Os serviços não conseguem aumentar produtividade por definição: músicos, educação, garçons, cabeleireiros. São iguais em todos os lugares. O aumento de produtividade no setor de bens acaba pressionando tambem os salários dos setores de serviços; os preços e salários desse setor sobem, na ausência de aumentos de produtividade. Cortar cabelo em Zurich fica mais caro! Falta só agora os economistas brasileiros entenderem que os ganhos relevantes de produtividade em qualquer país está no setor manufatureiro, como nos ensinou Samuelson, Balassa e Baumol. Será tão difícil entender que a indústria é mais produtiva que os serviços não sofisticados?

Serviços sofisticados dependem de uma estrutura produtiva complexa

http://economiadeservicos.com/author/rafael-leao/

*ótimo Paper! https://papers.ssrn.com/sol3/papers.cfm?abstract_id=3249853

4 thoughts on “O preço dos cortes de cabelo no mundo: Samuelson, Balassa, Baumol e os economistas brasileiros”

  1. Opa Paulo, vc chegou a usar no seu artigo, nao consegui ver a metodologia, algum fator para amenizar algumas diferenças entre países?
    Porque eu vejo que, apesar do efeito que o artigo fala ser presente, há alguns problemas nessa comparação semelhantes aos problemas do Índice Big Mac:

    1 – Países diferentes, com culturas diferentes, dão valores diferentes para produtos semelhantes, 1kg de cuscuz em Recife tem uma formação da curva de demanda totalmente diferente da de Buenos Aires, por ex. e essas diferenças podem chegar a algo como numa sociedade em que grande parte da população tem alergia a amendoim, talvez a venda de algum produto com amendoin tenha demanda totalmente diferente de outra.

    2 – As diferenças institucionais entre os países, por mais que estamos falando de corte de cabelo, diferenças como impostos, facilidade de calcula-los, regulações fiscais e trabalhistas, burocracias, perda de tempo com justiça do trabalho, todos esses fatores são diferentes entre São Paulo e Zurique.

    Então, com esses dois pontos, me leva a crer que o calculo que é feito nesse artigo, caso não tenha normalizado essas diferenças, traria informações muito mais úteis para comparar o corte de cabelo em boa viagem(bairro nobre do recife) com o corte no ibura(bairro popular no recife).

    Usando esse ponto 2 (principalmente) na equação de Solow, Y = A*F(K,L), me leva a crer que a diferença de riqueza da região não explica todo o A, pois há muitas diferenças entre os países, enquanto que se a comparação for utilizada regionalmente, explica o A quase que na totalidade. Essa conclusão está correta?

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