O superávit comercial brasileiro equilibra o fluxo de dólares

Nossa balança comercial teve um superávit de quase U$11bilhoes de dólares em Março, um recorde para o mês. Foi o maior número já registrado nessa série. O saldo líquido entre exportações em importações do agronegócio está na casa de U$ 8 bilhões. A conta de óleo e gás atingiu a marca de de u$4 bilhões. O Brasil se consolida como uma dar potências de agro e commodities do planeta. A descoberta do pré-sal alçou o Brasil ao seleto clube de grandes produtores de petróleo do mundo; e ainda nem começamos a explorar o gás do pré sal de maneira adequada. Em 2022 o Brasil se aproximou de 9% do total de exportações mundiais de produtos agro e quase 5% dos produtos extrativos minerais. Em 2000 essas porcentagens eram de 3% e 1% respectivamente. As mas notícias estão nas exportações de produtos tecnológicos. Estacionamos em 0,6% do total mundial de produtos de média tecnologia. Em alta tecnologia essa porcentagem caiu de 0,5% no início dos 2000 para próximo de 0,1% em 2022. O superávit da balança comercial projetado de U$50 bilhões em 2023 nos ajuda a pagar o déficit de mais de u$50 bilhões anuais em serviços. Com isso teremos novamente um déficit na conta corrente entre 1% e 2% do PIB. O grande risco de déficits em conta corrente está na necessidade de financiamento externo para fechar a conta de dólares. Se nosso comércio externo não é capaz de gerar dólares para pagar as contas de serviços sobra para a conta de capitais o financiamento do balanço de pagamentos. Ou seja, os fluxos de Bolsa, os títulos, as dívidas e o investimento direto estrangeiro trazem os dólares necessários para fechar o gap externo. O problema dessa estratégia é que são dólares emprestados que vêm, e não genuínos resultantes de fluxos de comercio. A atração de capitais aumenta nosso passivo externo, ou seja, passamos a dever mais para os estrangeiros. Enquanto eles estão otimistas, há financiamento farto. Mas, no caso de uma reversão de humor, o estrago é grande – como vimos no Brasil em 1999, 2002, 2008 e 2015, ou, ainda, na Argentina recentemente, para não mencionar o México em 1995 e a Ásia em 1997. Para a Argentina que mergulhou em nova crise inflacionária o resultado comercial foi de menos 1 bilhão de U$ em março. Turquia, outro país em crise inflacionária também teve déficit na balança comercial no último mês. Em janeiro e fevereiro somados o déficit da balança comercial turca superou os U$10bi e o déficit em conta corrente passou de 20 bilhões! Em porcentagem de PIB esses números de aproximam de 3%. A situação brasileira hoje é anos-luz melhor do que nas crises dos anos 1970, 1980 e 1990. Temos reservas internacionais e dívida externa sobre PIB em situação confortável. O déficit em conta corrente está praticamente zerado e o investimento direto cobre com folga a diferença. No colapso do plano cruzado, tínhamos uma dívida externa que era quase 50% do PIB. Quando quebramos, em 1982, nossas reservas estavam praticamente zeradas. No choque do petróleo, nosso déficit em conta corrente foi quase a 7% do PIB. De fato, por esse prisma estamos bem tranquilos.

 

Ideias chave:

1)Nossa balança comercial teve um superávit de quase U$11bilhoes de dólares em Março, um recorde para o mês.

2)O saldo líquido entre exportações em importações do agronegócio está na casa de U$ 8 bilhões. A conta de óleo e gás atingiu a marca de de u$4 bilhões.

3)O Brasil se consolida como uma dar potências de agro e commodities do planeta

4) O superávit da balança comercial projetado de U$50 bilhões em 2023 nos ajuda a pagar o déficit de mais de u$50 bilhões anuais em serviços.

5)O déficit em conta corrente está praticamente zerado e o investimento direto cobre com folga a diferença.

6)A situação brasileira hoje é muito melhor do que nas crises dos anos 1970, 1980 e 1990. Temos reservas internacionais e dívida externa sobre PIB em situação confortável.

2 thoughts on “O superávit comercial brasileiro equilibra o fluxo de dólares”

  1. O cambio é flutuante. Não estamos mais no regime de cambio fixo. O câmbio é preço e no regime flutuante o próprio cambio faz o serviço de equilibrar os fluxos cambiais. EM outras palavras, estamos sempre em equilíbrio. É a flutuação do cambio que ajusta as contas externas. O problema é se inventarem do governo pegar empréstimos em moeda estrangeira. No mais, o mercado se ajusta. Quem nao fez hedge que se lasque.

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