Os navios chineses e coreanos não foram produzidos graças a proximidade ao mar: foram muitos subsídios e ajuda do governo!

*escrito com Felipe Augusto Machado

Na Ásia, especialmente na Coréia do Sul e China, o governo forçou a iniciativa privada na direção que julgou correta. Deu incentivos, subsídios, crédito e cobrou resultados. Basta olhar para qualquer caso de sucesso de lá: aço na Coreia, barcos e carros na China e Coreia, Huawei e por aí vai! Nunca houve vantagem comparativa natural dos asiáticos nisso, que tornaria seu sucesso inevitável e permanente. A Coreia, que essencialmente copiou o Japão, e era carente de capital e tecnologia nos anos 70, concedeu monopólio na produção de plataformas offshore e no transporte de petróleo à Hyundai. Também financiou a construção dos navios e a própria subsidiária de navegação da empresa. Lucros somente seriam obtidos mais de dez anos depois do plano de Heavy Chemical and Industry Policy (1973), que caracterizou o setor como estratégico, e da entrega do 1º navio pela Hyundai em 1974. A empresa reinvestiria tais lucros no seu setor automobilístico, e no complexo naval.

A China nesse mercado era quase tão retardatária quanto o Brasil no início dos anos 2000. Desde que o 11º Plano Quinquenal (2006-2010) considerou o setor como estratégico, recebendo altos volumes de subsídios, o país se tornou o mais relevante em participação de mercado mundial. Mas aprendizado tecnológico leva tempo. A China começou com navios com baixo conteúdo nacional e de menor tamanho e qualidade, mas vem se sofisticando rapidamente. Mesmo assim, seus navios ainda são menos eficientes e seus lucros seguem mais baixos do que os dos vizinhos. Ou seja, não há nada de natural ou inevitável no domínio asiático da construção naval. Ele é resultado da convicção destes países de que o aprendizado tecnológico é chave para o desenvolvimento, ainda que estas políticas sejam custosas e demoradas e que seu sucesso seja incerto. Assim funciona o Leste Asiático!

https://www.paulogala.com.br/como-funciona-a-asia-os-milagres-de-japao-coreia-e-taiwan/

Fontes:

KALOUPTSIDI, Myrto. Detection and Impact of Industrial Subsidies: The Case of Chinese Shipbuilding, 2018.

STUDWELL, Joe. How Asia Works, 2013.

https://www.naval.com.br/blog/2019/08/16/china-constroi-o-primeiro-de-seis-porta-helicopteros-type-075/

https://www.naval.com.br/blog/2019/08/16/china-lancou-ao-mar-16-navios-de-guerra-no-primeiro-semestre-de-2019/

Com Allan Nacif

Chinluck Holdings, de Hong Kong. O empresário Xu Zengping Que adquiriu o navio inicialmente disse aos ucranianos que iria transforma-lo num cassino flutuante. Xu foi jogador de basquete e é empresário também na área de eventos, Tem negócios em Macau. Então a história do cassino flutuante ficou verossímil. Depois a marinha chinesa “comprou” o navio, numa história um tanto quanto esquisita!

Desde que a China comprou o que restava (abandonado no estaleiro com 68% concluído) do porta-aviões Varyag da Ucrânia, em 1998, passando pela sua conclusão em estaleiro chinês em 2012 e posterior colocação em serviço ativo, agora com o nome de Liaoning, os chineses estabeleceram uma velocidade impressionante na modernização de sua marinha. Avançados submarinos, destroieres, fragatas, corvetas e navios desembarque multi propósitos de 25000 e 40000 toneladas de deslocamento estão sendo construídos em ritmo alucinante, sem paralelo na atualidade, reduzindo ou eliminando qualquer desvantagem tecnológica chinesa rapidamente. Recentemente a China ofereceu para a Malásia um navio desembarque multi propósito Tipo 71 (25 mil toneladas de deslocamento) por um terço do preço que os EUA pediram por navio equivalente, da Classe San Antônio, que custa algo em torno de 2 bilhões de dólares. A Tailândia já comprou um navio dessa classe chinesa. Vai ser cada vez mais comum vermos navios civis e militares chineses exportados para outros países.

Comentários recebidos

o problema de porta-aviões tipo ESTOBAR é que o peso máximo de decolagem dos aviões é muito reduzido, decolando com menos da METADE da sua capacidade de combustíveis e armas. Além disso, os aviões só conseguem decolar em condições extremamente favoráveis de vento, o que já não ocorre com porta-aviões do tipo CATOBAR e EMALS. É ainda tem a questão de segurança: porta-aviões tipo ESTOBAR não possuem aviões AWACS de alerta antecipado, tipo o Northrop Grumman E-2 Hawkeye, que integram as esquadras aéreas dos porta-aviões nucleares da Classe Nimitz, Gerald Ford e Charles De Gaule. Isso torna esses navios muito inseguros contra ataques aéreos. Agora, qual o motivo de porta-aviões ESTOBAR não terem aviões AWACS? Não há espaço suficiente de pista para um avião turbo-hélice decolar de um porta-aviões ESTOBAR. Fofocas: tanto o Liau Ning quanto o tipo 001 padecem do mesmo problema de mal-funcionamento de suas caldeiras à vapor que atormentavam o porta-aviões Admiral Kuznetsov. Um ano atrás teve uma explosão em uma das caldeiras do Liau Ning que matou 14 marinheiros. Sem falar que o Shenyang J-15, um projeto transchupado mal e porcamente do russo Suhkoi SU-33, além de ser o avião naval mais PESADO jamais operado em um porta-aviões, é um verdadeiro fazedor de viúvas.

3 thoughts on “Os navios chineses e coreanos não foram produzidos graças a proximidade ao mar: foram muitos subsídios e ajuda do governo!”

  1. Longo prazo para um brasileiro vai até a ponta de seu nariz. Longo prazo para um asiático segue seu horizonte. É melhor se acostumar com o padrão brasilandia mesmo Gala.

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