Os tanques de guerra da brasileira ENGESA: mais uma perda tecnológica dos 1980

*escrito com Allan Nacif

Mais uma empresa nacional com domínio tecnológico que poderia ter dado certo! Um grande acervo bélico-tecnológico brasileiro foi pelo ralo. O final dos 80 matou no Brasil varias empresas de belo conteúdo tecnológico: a Gurgel, a Engesa, a Embraer quase morreu, a Mafersa, entre outras. Em 1989 o Departamento de Defesa norte-americano apresentou ao Congresso um relatório defendendo a conveniência de o tanque Abrams ser vendido à Arábia Saudita, tanto pelo que a fabricação representaria para a indústria nacional americana, como pela ameaça que significaria a entrada de um novo fabricante de tanques, a ENGESA brasileira, no mercado do Oriente Médio. Os EUA ganharam a parada obviamente.

A ENGESA é mais um belo exemplo da excelência de engenheira que foi cultivado nos anos 60 e 70 e morreu nos anos 80. Em 1958, a ENGESA (Engenheiros Especializados S/A) foi criada por José Luiz Whitaker Ribeiro. Em 1968, produzia componentes para a exploração de petróleo para a Petrobras. Ao ter seus caminhões enfrentando estradas de terra e barro para chegarem ao destino no litoral, desenvolveu uma caixa de transferência com tração especial, depois aplicada com sucesso em seus veículos nacionais. Em 1970, o Exército brasileiro passou a usar seus veículos.

Na época, estavam em desenvolvimento os blindados Cascavel e Urutu. A ENGESA aceitou associar-se ao projeto e em 1974, a empresa foi capaz de vender à Líbia o blindado Cascavel, com canhão 90 milímetros. Começou a exportar e Em poucos anos vendeu esse blindado a 18 países do Oriente Médio, África, América do Sul e Mediterrâneo. Amplia sua produção para varios tipos de modelos, Mas não consegue sobreviver às fortes instabilidades. Em 1990 a empresa entra em concordata. Em 1995 decretou-se a falência da ENGESA. Todo o material do acervo tecnológico e bélico foi transferido para a Fábrica de Piquete em São José dos Campos. Em 2005 essa fábrica foi vendida à EMBRAER.

Um outro lado da história da Engesa

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