O mapa abaixo retirado do paper de Hartamnn at al mostra os produtos do comercio internacional e suas respectivas desigualdades: cada bolinha e’ um produto, quanto mais azul menos “desigual o produto”. Para calcular isso basta olhar o GINI médio ponderado dos principais produtores de cada produto no mundo. Os produtos agrícolas e minerais “produzem” a maior desigualdade. As manufaturas médium/high tech do centro da rede “produzem” menor desigualdade. Por que? Quem produz as maquinas para agricultura e mineração e’ rico e tem baixa desigualdade!
Os dados do paper de Hartmann et al. revelam uma relação clara entre os tipos de produtos comercializados internacionalmente e os níveis de desigualdade nos países produtores. Cada bolinha no mapa representa um produto, e sua coloração indica o nível de desigualdade associado a ele: produtos mais azuis são menos desiguais, enquanto os mais vermelhos indicam uma maior concentração de renda nos países produtores.
A Relação entre Produtos e Desigualdade
Os produtos agrícolas e minerais estão entre os que apresentam os maiores níveis de desigualdade. Isso ocorre porque países cuja economia é altamente dependente da exportação de commodities tendem a ter estruturas produtivas menos diversificadas, baixa agregação de valor e instituições frágeis, resultando em concentração de renda e menor desenvolvimento social.
Por outro lado, os produtos industrializados de médio e alto valor tecnológico, que estão no centro da rede de comércio internacional, estão associados a menores índices de desigualdade. Isso se explica pelo fato de que as economias que dominam a produção dessas manufaturas – como máquinas, equipamentos eletrônicos e bens de alta tecnologia – são, em geral, países ricos com melhor distribuição de renda.
Por que países agrícolas e mineradores são mais desiguais?
Baixa agregação de valor – A produção de commodities agrícolas e minerais geralmente não passa por processos sofisticados de industrialização, limitando os ganhos econômicos e a geração de empregos qualificados.
Concentração fundiária e de recursos – No setor agrícola, a posse da terra costuma ser extremamente concentrada. Já no setor mineral, as operações são dominadas por grandes corporações que geram alta receita, mas distribuem pouco esse valor para a sociedade.
Dependência de mercados voláteis – O preço das commodities é altamente instável e sujeito a ciclos de boom e bust, impactando diretamente as economias dependentes desses setores. Esse efeito cíclico pode amplificar a desigualdade ao gerar períodos de alta concentração de riqueza seguidos de crises profundas.
Falta de encadeamentos produtivos – Economias baseadas apenas em exportação de commodities costumam ter cadeias produtivas curtas, ou seja, não geram muitos desdobramentos em outros setores industriais. Isso limita a diversificação econômica e a criação de empregos qualificados.
Quem fabrica as máquinas agrícolas e mineradoras? – Os países que produzem equipamentos para esses setores são justamente os que possuem menor desigualdade, pois dominam tecnologia avançada, têm indústrias de alta complexidade e distribuem melhor os ganhos de produtividade.
Conclusão
O mapa de Hartmann et al. ilustra uma dinâmica econômica fundamental: países que apenas extraem e exportam produtos primários tendem a ser mais desiguais, enquanto aqueles que produzem bens manufaturados avançados desfrutam de maior prosperidade e equidade. A chave para escapar dessa armadilha está na diversificação econômica, no investimento em tecnologia e na construção de uma indústria que agregue valor às riquezas naturais.


ver paper de Dominik Hartman, Cesar Hidalgo, et al aqui


Nem sempre isso é verdade. Veja o caso do Chile. Devem existir outros. Então, a pergunta natural: O que o Paraguai não fez que o Chile e outros fizeram? Uma resposta inicial seria : ajustes na estrutura produtiva de forma a manter oportunidades para a população, inclusive com politica de salário mínimo “consistente”. Veja o caso brasileiro. O que fizemos para dar conta de problemas criados na agricultura com o apoio à monocultura e uso intensivo de politica de modernização do campo? Nada, por isso tanta miséria. Ainda , para o caso brasileiro, dá tempo de fazer algo. Um programa de apoio a essa turma nunca foi feito no Brasil. Imagino que 3 trilhões poderia ajudar uns 120 milhões de pessoas. Em dez anos, poderíamos ter resolvido o problema da desigualdade chocante e miséria inaceitável. O programa ficaria na ordem de 300 bilhões ano. Como esse programa colocaria uns 30 a 40 milhões de pessoas na formalidade teria um efeito positivo imediato nas contas previdenciárias, sem falar no aumento de tributos e bem estar social.
https://paulogala.com.br/minas-e-pocos-de-petroleo-australia-chile-arabia-saudita-kuwait-qatar-e-emirados-arabes/
mas de onde tirar os 3 trilhoes?
Cada um que faça o seu orçamento. No meu cabe politica dessa natureza.