Países ricos dominam os serviços modernos, pobres não

*escrito por André Roncaglia

Escrevemos o livro “Brasil, uma economia que não aprende” para atualizar o entendimento quanto ao “conceito” de indústria. Divorciando o termo de sua conotação fordista de amplo chão de fábrica, conseguimos visualizar a indústria como plano de sofisticação produtiva a partir de uma base de conhecimento técnico, formal e tácito. Neste novo conceito, tanto a indústria pesada quanto os serviços sofisticados se integram em amplas redes de conhecimento que autonomizam a produção de inovações, geram maior competitividade extra-preço e, com isso, melhores empregos e melhores salários. O artigo de Fabrício Missio e Wallace Pereira no Valor de hoje mostra esta relação claramente. Os países com maior participação de serviços sofisticados no valor adicionado total têm também maiores taxas de produtividade (canto direito superior do gráfico). Já os países que se acomodam em coisas fáceis de fazer (as chamadas vantagens comparativas), acabam integrando menos os serviços sofisticados em suas bases industriais e, sem isso, perdem capacidade inovativa e de crescimento. Concluem os autores: “o crescimento dessas atividades [serviços modernos e agropecuária] é incapaz de incorporar o contingente de pessoas atualmente sem trabalho. É impossível absorver 10 milhões de desempregados em startups ou no agro. Assim, também por isso a retomada da indústria é fundamental, porque ela gera emprego. Ademais, como está claro na literatura (modelo centro-periferia), a especialização na produção agrícola determina taxas de crescimentos menores no longo prazo. A saída é adicionar complexidade a produção nacional. Em resumo, ser pop é bom ao passo que ter simbiose é fundamental.”

texto aqui: Por mais produção industrial e por serviços modernos _ Opinião _ Valor Econômico

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