Criação de apenas 29 mil vagas em setembro, muito abaixo das expectativas, reduz a chance de nova alta de juros pelo Fed na próxima reunião
O payroll divulgado nesta sexta-feira trouxe um número muito ruim para a economia dos Estados Unidos. Foram criados apenas 29 mil empregos em setembro, contra uma mediana das projeções entre 90 mil e 100 mil vagas. É um daqueles meses de surpresa completa, com um resultado catastrófico em termos de geração de postos de trabalho.
As revisões dos meses anteriores também vieram para baixo. O dado de julho passou de criação de 21 mil vagas para destruição de 10 mil. O de agosto, que parecia muito forte, foi revisado de 162 mil para 133 mil empregos.
Os demais indicadores apontam na mesma direção. A taxa de desemprego subiu de 4,1% para 4,2%, quando se esperava estabilidade. Os ganhos salariais (average hourly earnings) desaceleraram bastante, com alta nominal de apenas 0,1% no mês. Em doze meses, os salários crescem 3%, abaixo dos 3,1% esperados. Em conjunto, os números mostram um mercado de trabalho bem mais desaquecido.
O dado chega em um momento delicado para os juros no mundo. As taxas dos títulos americanos de 10 e de 30 anos estão acima de 5%, nas máximas de duas décadas. Há uma impaciência dos mercados com a questão fiscal, e não só a americana, cuja dívida já bateu US$ 40 trilhões, mas também a da Europa e a do Japão. Os juros longos sobem em todas essas regiões.
Esse movimento bate no Brasil. Quando os juros longos sobem no mundo, fica mais difícil o trabalho do Banco Central brasileiro de cortar a taxa básica.
Por outro lado, o mercado de trabalho mais fraco pode reduzir o ímpeto de alta dos juros curtos nos Estados Unidos, hoje em 4%. Os diretores do Fed não têm se comprometido com um novo aumento, e o dado de hoje tira força de uma elevação na próxima reunião. Talvez fique uma última alta para o final do ano. A parte fiscal, porém, segue muito pressionada, e por isso os juros longos não param de subir.
Outra notícia do dia é a liberação de estoques de diesel pela França e pela Europa, que deve ajudar a derrubar o preço do combustível.
Na hierarquia dos indicadores econômicos, o payroll é o dado mais importante para os Estados Unidos, e o de hoje foi muito ruim. Resta aguardar os números das próximas semanas, mas por ora a informação é de um mercado de trabalho americano mais desaquecido.

