O dia deve ser mais calmo já que a bolsa americana está fechada devido ao funeral do ex-presidente Jimmy Carter, resultando em baixa liquidez nos mercados. Ontem, o destaque foi a divulgação da ata do Fed, que confirmou a decisão de cortar juros na reunião de dezembro, mas com um discurso cauteloso. O Fed indicou que vai “esperar para ver” os desdobramentos da política tarifária de Trump antes de tomar novas decisões. Por ora, o mercado estima cortes de juros nos EUA apenas no segundo semestre de 2025, com a taxa básica estacionada em 4,5%. O índice DXY, que mede a força do dólar, permanece forte, próximo de 109 e tentando alcançar 110. Essa valorização impacta moedas globais. A moeda chinesa atingiu sua mínima em 12 meses, a libra esterlina tem sofrido e o euro está perto de mínimas. O real também foi pressionado em dezembro, mas, no início de 2025, tem se saído melhor do que outras moedas emergentes. Os juros de 10 anos nos EUA, que chegaram a 4,80%, recuaram levemente para 4,60%, mas continuam sob pressão.
No Brasil, o destaque da manhã foi o dado de varejo. O varejo restrito caiu 0,5% em novembro em relação a outubro, enquanto o ampliado registrou queda de 1,8%. O varejo ampliado inclui materiais de construção e veículos, que haviam subido significativamente em outubro, mas recuaram fortemente em novembro. Esses números reforçam a tendência de desaceleração da economia brasileira, que já foi observada na queda da produção industrial em outubro e novembro. Os dados do quarto trimestre indicam uma economia desacelerando, resultado de um aumento de juros iniciado no segundo semestre de 2024 e intensificado em dezembro, combinado com uma política fiscal mais restritiva.
O debate sobre o hiato do produto no Brasil segue em aberto. Alguns modelos indicam que o país está em seu maior aquecimento econômico desde os anos 1990, enquanto outros, considerados mais completos, mostram um hiato positivo, mas em níveis não vistos há uma década. Apesar das divergências, há consenso de que a economia brasileira está aquecida, embora sinais de desaquecimento estejam começando a aparecer. Os dados preliminares do quarto trimestre ainda precisam ser confirmados para separar ruído de sinal. Indicadores como a PMS e o IBC-Br de dezembro serão cruciais para entender o ritmo da economia e projetar 2025. Por enquanto, o Relatório Focus mantém a expectativa de crescimento de 2% para o próximo ano, com possível alívio da inflação dependendo do comportamento da taxa de câmbio e das políticas monetárias nos EUA. O cenário segue de dólar forte globalmente e atividade econômica mais fraca no Brasil, consolidando uma perspectiva de desaceleração.





