O IBGE divulgou nesta terça-feira, 2 de setembro, os resultados do PIB do segundo trimestre. A economia brasileira registrou crescimento de 0,4% em relação ao primeiro trimestre, dentro das expectativas do mercado e evidenciando desaceleração frente ao ritmo mais forte de 1,3% observado no início do ano.
Demanda agregada
O consumo das famílias, que havia crescido 1% no primeiro trimestre, desacelerou para 0,5%. Já o consumo do governo caiu 0,6%, segundo o IBGE. A formação bruta de capital fixo (investimentos em fábricas, máquinas e equipamentos) também apresentou queda relevante na comparação trimestral, reforçando o impacto da taxa de juros elevada sobre os setores produtivos.
Setor externo
Nas contas externas, houve melhora relativa: as importações caíram 2,9%, enquanto as exportações cresceram 0,7%, beneficiadas sobretudo pelo desempenho da indústria extrativa, especialmente minério de ferro e petróleo.
Atividade setorial
Do ponto de vista da oferta, o destaque positivo ficou com a indústria extrativa, que avançou de forma consistente. Também contribuíram os serviços complexos e sofisticados, como tecnologia da informação, comunicação e setor financeiro. Em contrapartida, a indústria de transformação recuou 0,5%, acompanhada por quedas de 0,1% na agropecuária e 0,2% na construção civil. Esses dois últimos segmentos são os mais sensíveis à política monetária restritiva, e refletem os efeitos da Selic em patamar elevado.
Comparação anual
Na comparação com o mesmo trimestre de 2024, o PIB brasileiro cresceu 2,2%. Os destaques foram:
Agropecuária: +10% Indústria extrativa: +8,7% Serviços complexos (TI, comunicação e setor financeiro): entre +3,8% e +6,4% Já a indústria de transformação segue praticamente estagnada, revelando as dificuldades estruturais do setor.
Tendências
O cenário mostra uma economia cada vez mais sustentada por serviços e extrativas, enquanto a indústria de transformação e a construção civil permanecem fragilizadas. As taxas de investimento também vêm perdendo dinamismo: após crescimentos de 10,8%, 9,4% e 9,1% em trimestres anteriores, caíram para 4,1% na última leitura.
Apesar da desaceleração, as projeções indicam crescimento próximo de 2,1% a 2,2% em 2025, com tendência de estagnação no segundo semestre, especialmente devido ao impacto prolongado dos juros altos.





