Os dados divulgados na manhã de hoje pela Fundação Getulio Vargas (FGV), por meio do Monitor do PIB, trouxeram uma leitura bastante positiva da atividade econômica. O indicador registrou um crescimento mensal de 1,1% em relação a outubro, um resultado forte e acima do observado no mês anterior. Ainda que novembro já esteja cronologicamente distante, os dados continuam sendo divulgados e, de forma geral, têm surpreendido positivamente.
Essa surpresa para cima já vinha sendo sinalizada por outros indicadores de atividade, como o IBC-Br, que apresentou desempenho robusto. Mesmo com uma leve queda na Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), o conjunto dos dados — incluindo varejo e indústria — permanece consistente com um quadro de atividade aquecida. O dado do Monitor do PIB da FGV reforça essa leitura, mostrando uma aceleração relevante no ritmo mensal.
Na comparação ano contra ano, o crescimento foi de 1,9%, um número expressivo, especialmente quando considerado o estágio do ciclo econômico em que o país se encontra. Sabemos que a economia está em processo de desaceleração, mas a questão central é a intensidade dessa desaceleração. Os dados mais recentes sugerem que ela pode ser menor do que se imaginava anteriormente.
Um ponto importante é o comportamento do consumo das famílias, que voltou a acelerar, atingindo 1,2% de crescimento em relação a novembro do ano anterior. Após um período de desaceleração contínua entre agosto, setembro e outubro, observa-se uma inflexão positiva em novembro, o que indica resiliência da demanda interna.
As importações também voltaram a acelerar, com crescimento de 4% em relação a novembro do ano passado, sinalizando tanto força da demanda doméstica quanto continuidade dos investimentos. As exportações, por sua vez, apresentaram um desempenho ainda mais expressivo, com alta de 8,8%, configurando uma surpresa positiva, especialmente considerando o contexto de aumento de barreiras comerciais e tarifas no cenário internacional.
Apesar do chamado “tarifaço”, o Brasil conseguiu fechar o ano com um superávit comercial de aproximadamente US$ 65 bilhões, o que reforça a leitura de um setor externo sólido. Esse desempenho contribui de forma importante para a sustentação do crescimento econômico.
Outro dado relevante divulgado recentemente foi o de exportações de veículos, conforme informações da ANFAVEA. O país registrou um crescimento expressivo de 32% nas exportações de veículos no ano passado, atingindo 528 mil unidades exportadas, um resultado significativo para uma indústria historicamente voltada ao mercado interno. Esse desempenho sugere efeitos positivos de políticas públicas voltadas à promoção das exportações e à estratégia industrial recente.
O conjunto desses indicadores aponta para um Brasil economicamente robusto, com atividade ainda forte e sinais claros de resiliência. Diante desse cenário, a hipótese de uma desaceleração mais suave ganha força, e um crescimento em torno de 2% em 2026 passa a parecer mais plausível.
Esses resultados também dialogam diretamente com o mercado de trabalho, que segue apresentando desempenho excepcional, com a taxa de desemprego em mínima histórica de aproximadamente 5,2%. Em conjunto, os dados de atividade, comércio exterior e emprego compõem um quadro amplamente positivo para a economia brasileira.
Por fim, vale destacar que o Monitor do PIB da FGV é um indicador independente, com metodologia própria, distinta da utilizada pelo IBGE. Ainda assim, sua leitura reforça de forma consistente a narrativa de aceleração da atividade em novembro e contribui para uma avaliação mais otimista do desempenho econômico recente.





