PIB do Brasil pode crescer 2% em 2026

Monitor do PIB – FGV: crescimento de 0,9% no primeiro trimestre surpreende e aproxima projeção de 2% para 2026

O Monitor do PIB da FGV, divulgado ontem, trouxe uma surpresa positiva: alta de 0,9% no primeiro trimestre de 2026 em relação ao trimestre anterior. O instrumento acompanha a atividade econômica de forma mensal — de maneira análoga ao que o Banco Central faz com o IBC-Br — e sinalizou aceleração em relação aos últimos trimestres de 2025. No acumulado em 12 meses, o crescimento chega a 1,9%, levando a FGV a aventar a possibilidade de o PIB alcançar 2% no ano. Em termos nominais, o PIB brasileiro já ultrapassa R$ 12 trilhões.

Apesar de uma leve queda de março em relação a fevereiro, a leitura trimestral foi bastante positiva. Os três grandes grupamentos da atividade — agropecuária, indústria e serviços — apresentaram crescimento conjunto, o que confere robustez ao resultado.

Um fator estrutural merece destaque nesse ciclo de crescimento: os programas de transferência de renda do governo federal. Iniciativas como o Pé-de-Meia, o Auxílio Gás e demais benefícios direcionados a famílias com renda de até R$ 5.000 mensais funcionam como estímulo direto à demanda agregada. Trata-se de uma população que em regra gasta integralmente o que recebe. Esse canal de demanda é praticamente insensível à taxa de juros, pois as transferências a populações de baixa renda não passam pelo canal do crédito e, portanto, não são afetadas pela política monetária restritiva da mesma forma que o consumo das famílias de maior renda ou o investimento empresarial.

É precisamente esse cenário que torna o trabalho do Banco Central mais complexo. Com a atividade resiliente e o desemprego em patamares baixos, o Copom não dispõe de espaço confortável para reduzir a Selic. Ao mesmo tempo, a taxa elevada pesa sobre o setor produtivo: há sinais de estresse financeiro em empresas de maior complexidade, com crescimento nos pedidos de recuperação judicial. Esse contraste — expansão do consumo popular convivendo com aperto para o empresariado — é uma das marcas deste ciclo. A expectativa do mercado é de que reste espaço para apenas mais um ou dois cortes de 0,25 ponto percentual.

Com praticamente todos os dados do primeiro trimestre já consolidados, as principais casas de análise projetam crescimento entre 0,6% e 0,7% no período, acima do desempenho dos trimestres anteriores de 2025. A conclusão é de uma boa notícia com ressalvas: o PIB deve crescer próximo de 2% em 2026, sustentado por um motor de demanda resistente aos juros altos — mas que deixa o setor produtivo mais complexo em situação desafiadora.

Deixe uma resposta