Preços de alimentos em queda no Brasil

Nesta manhã, o IBGE divulgou o IPP (Índice de Preços ao Produtor), que mede os preços da indústria, apontando uma queda de 1,25% em junho, na comparação com maio. Esse é o quinto resultado negativo consecutivo, confirmando uma tendência de deflação no atacado ao longo de praticamente todo o primeiro semestre — tanto para produtos agropecuários quanto industriais.

Também hoje foi divulgado o IGP-DI, que apresentou uma leve deflação de 0,07% em julho. Embora mais branda que a queda de 1,80% registrada em junho, o índice segue abaixo de zero. O destaque no IGP-DI foi a forte queda dos preços do IPA Agropecuário, com recuo de 3,42% em julho, apesar de uma leve alta no IPA Industrial. Esses movimentos reforçam o impacto da safra agrícola e da normalização de preços de commodities, como carne bovina e café, que vêm puxando o atacado para baixo.

Além disso, o Banco Central divulgou o ICBR (Índice de Commodities do Banco Central), que caiu 0,54% em julho. O recuo foi puxado pela queda nos preços de alimentos, produtos agropecuários e também dos energéticos, com destaque para o petróleo. Ou seja, temos três indicadores — IPP, IGP-DI e ICBR — apontando para um ambiente de descompressão de preços no atacado.

Vale destacar que essa deflação ocorre no atacado, não no varejo. Mas ela sinaliza uma trajetória favorável para a convergência da inflação ao consumidor em direção à meta. O gráfico do ICBR mostra uma forte escalada no ano passado, seguida de alívio neste ano, o que é uma boa notícia.

Com isso, há mais elementos concretos para reforçar a tendência de queda da inflação em 2024. O IPCA pode terminar o ano abaixo de 5%, e, em 2025, talvez fique mais próximo de 4%, reforçando o cenário de desinflação e abrindo espaço para uma política monetária mais acomodatícia.

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