O principal destaque foi a queda expressiva nas vendas no varejo em maio, com recuo de 0,9%, a maior contração desde março de 2023. A expectativa era de uma queda de 0,6%, ou seja, o resultado veio pior do que o projetado. A queda foi puxada, sobretudo, pelas vendas de automóveis, que haviam registrado forte alta nas semanas anteriores devido à antecipação de compras diante de possíveis tarifas. Com o fim desse movimento, as vendas de veículos despencaram. Mesmo o varejo excluindo automóveis apresentou queda de 0,3%, frente a uma expectativa de alta de 0,2%.
Também foi divulgada a produção industrial de maio, que caiu 0,2%, contra expectativa de estabilidade. A indústria extrativa foi particularmente afetada, refletindo uma desaceleração na produção de petróleo e derivados. As vendas de combustíveis também mostraram enfraquecimento, acompanhadas pela queda nos preços da gasolina.
Esses dados reforçam o cenário de desaceleração econômica nos EUA, que se soma à inflação em níveis abaixo do esperado. Amanhã ocorre a aguardada reunião do Federal Reserve, acompanhada da divulgação das projeções econômicas (os chamados dot plots). Apesar de não se esperar mudanças na taxa de juros neste encontro, o tom do comunicado e as projeções podem sinalizar cortes à frente, especialmente se os dados fracos continuarem se acumulando.
No Brasil, também teremos decisão importante: o Comitê de Política Monetária (Copom) está reunido desde hoje para decidir sobre a taxa Selic. O mercado está dividido: metade espera nova alta de 0,25 ponto percentual; a outra metade acredita que o ciclo se encerra agora, com a taxa em 14,75%.
O real se valorizou nos últimos dias, rompendo o patamar de R$ 5,50. Isso se deve tanto ao diferencial elevado de juros (Selic próxima de 15% contra juros americanos por volta de 4,3%), quanto à fraqueza global do dólar — o DXY está no menor nível em três anos. Com isso, o Brasil se torna atraente para o carry trade, favorecendo a moeda nacional. Esse movimento de apreciação do real é positivo para o controle da inflação. O boletim Focus de ontem já mostrou queda nas expectativas inflacionárias para 2025, com projeção recuando para 5,25%, o menor nível em cerca de seis meses.
Por fim, destaque para o cenário político: ontem o Congresso aprovou com folga a urgência para votação do projeto que revoga o decreto sobre o IOF. A votação definitiva ficou para depois das festas juninas, mas o placar robusto — mais de 300 votos favoráveis — indica que o Congresso tem maioria suficiente para derrubar a medida, caso queira. O governo, portanto, tem duas semanas para tentar construir uma alternativa.



