O movimento desta manhã reflete uma continuidade do stress no índice DXY e nos juros dos títulos de 10 anos dos EUA. Ontem, apesar de algum alívio inicial, o mercado virou após declarações de Trump envolvendo questões de anexação territorial, o que aumentou a preocupação dos investidores. Dados econômicos divulgados ontem também contribuíram para o cenário de pressão: havia mais de 8 milhões de vagas abertas na economia americana em dezembro, levando o indicador para uma relação de 1,1 vagas abertas por cada desempregado. Isso reflete um mercado de trabalho fortalecido. Além disso, o índice ISM apontou uma atividade robusta no setor de serviços nos Estados Unidos.
Esses sinais de força econômica aumentam a percepção de que o Federal Reserve poderá cortar juros apenas no segundo semestre de 2025. Atualmente, o mercado trabalha com essa perspectiva, o que pressionou as taxas de juros para cima. O rendimento dos títulos de 10 anos subiu para 4,70%, um aumento significativo em relação aos 3,70% observados em setembro de 2024, configurando um rali de 100 pontos-base. O índice DXY também voltou a superar 109, desvalorizando moedas emergentes como o real, que caiu para R$6,10, e o peso mexicano, que chegou a 20 pesos por dólar.
No Brasil, o movimento de desvalorização cambial e stress financeiro tem impactado os mercados. A produção industrial caiu 0,6% em novembro, após já ter recuado 0,2% em outubro, marcando a segunda queda consecutiva e indicando sinais de desaceleração econômica. O Relatório Focus projeta um crescimento de 2% para 2025, mas o cenário contracionista é evidente. A Selic, atualmente em 15%, visa trazer a inflação de 5% para mais próximo da meta, enquanto a política fiscal também se torna mais restritiva. O Ministério da Fazenda apresentou dados que mostram que, a partir do segundo semestre de 2024, o impulso fiscal começou a desacelerar, com aumento de tributos e cortes de gastos, contribuindo para a consolidação fiscal. Esses fatores deverão impactar ainda mais a economia ao longo de 2025.
No cenário internacional, os dados de emprego nos EUA continuam sendo monitorados de perto. O relatório ADP, divulgado hoje, apontou a criação de 122 mil vagas em dezembro, abaixo das 140 mil esperadas. Embora o ADP nem sempre tenha forte correlação com o Payroll, que será divulgado na sexta-feira, o resultado sugere uma moderação na criação de empregos. Outros dados importantes incluem os pedidos de seguro-desemprego amanhã e o índice Payroll no final da semana.
Na China, dados de inflação (CPI e PPI) serão divulgados hoje à noite, destacando as diferenças entre as economias americana e chinesa. Enquanto os juros de 10 anos nos EUA estão em 4,70%, na China eles caíram para apenas 1%, refletindo dificuldades de crescimento e um cenário próximo da deflação. Apesar de uma expectativa de crescimento entre 4% e 5% na China, setores como o imobiliário e infraestrutura continuam enfraquecidos.
Além disso, amanhã o mercado terá menor liquidez devido ao feriado nos EUA em homenagem a Jimmy Carter. Esse cenário de baixa liquidez pode amplificar movimentos de mercado. O panorama geral reflete um ambiente de incertezas, com sinais mistos sobre a saúde econômica global e os desafios domésticos no Brasil.





