O conceito de produtividade é tradicionalmente entendido como a produção física por trabalhador ou por hora trabalhada — como o número de unidades produzidas por empregado. No entanto, esse é apenas um dos ângulos possíveis. Uma leitura mais abrangente e relevante para a análise do desenvolvimento econômico entende a produtividade como valor adicionado per capita, ou seja, o quanto cada pessoa, em média, contribui para gerar valor econômico em uma economia.
Esse enfoque desloca a atenção da produtividade física para a produtividade econômica, medida pelo valor adicionado por trabalhador — indicador fundamental nas contas nacionais e no cálculo do PIB. O valor adicionado é a diferença entre o valor da produção total de uma empresa e o custo dos insumos intermediários utilizados. Ele inclui salários, lucros, juros e impostos sobre a produção. Quando agregamos esse valor para toda a economia e dividimos pelo número de habitantes ou trabalhadores, obtemos uma medida efetiva de produtividade.
Nessa abordagem, a capacidade das empresas de gerar valor adicionado elevado passa a ser o principal determinante da produtividade observada na economia. Ou seja, não basta que os trabalhadores sejam eficientes fisicamente. É preciso que estejam inseridos em estruturas produtivas que operem em cadeias de valor complexas, com produtos sofisticados, marcas fortes, domínio tecnológico e poder de precificação. É aí que a produtividade “microeconômica” das empresas se transforma em produtividade “macro” da economia.
Assim, países com empresas que operam em setores de alta complexidade tecnológica e com presença internacional — como farmacêutica, software, bens de capital ou serviços de engenharia — conseguem gerar um valor adicionado por trabalhador muito maior do que países especializados em atividades simples e de baixo conteúdo tecnológico, mesmo com níveis semelhantes de esforço físico ou jornada laboral. Isso explica, por exemplo, por que um trabalhador suíço ou dinamarquês gera mais valor por hora do que um trabalhador em uma economia especializada na exportação de commodities.
Portanto, para compreender a produtividade de forma substantiva, é essencial analisar não apenas o desempenho físico dos trabalhadores, mas também o tipo de produto que estão gerando, a sofisticação da empresa onde trabalham, e a posição que essas empresas ocupam nas cadeias globais de valor. No fim, o que aparece no PIB como produtividade do trabalho é, em boa medida, um reflexo do grau de sofisticação e da capacidade de captura de valor das empresas e setores nos quais os trabalhadores estão inseridos.

