Dani Rodrik oferece uma contribuição essencial para o entendimento da produtividade em países emergentes ao distinguir dois tipos de ganhos: os ganhos “within” (dentro dos setores) e os ganhos “between” (entre setores). Essa distinção ajuda a compreender por que certas economias conseguem crescer mais rapidamente do que outras e como o processo de desenvolvimento está intimamente ligado à reconfiguração estrutural da economia.
Os ganhos de produtividade “within” ocorrem quando um setor específico torna-se mais eficiente. Isso pode acontecer, por exemplo, quando um cabeleireiro consegue atender mais clientes por dia ou quando uma fábrica de automóveis adota novas tecnologias e produz mais veículos com os mesmos recursos. Esses ganhos são importantes, pois melhoram a eficiência no uso dos fatores de produção, mas tendem a ser limitados pelo próprio setor: há um teto natural para quantos cabelos um profissional pode cortar em um dia, por exemplo.
Já os ganhos “between”, ou entre setores, estão ligados ao deslocamento da força de trabalho de setores de baixa produtividade para setores de maior produtividade — como, por exemplo, transferir trabalhadores do comércio informal ou da agricultura para a indústria de transformação. Essa mudança estrutural tem um potencial muito maior de elevar a produtividade agregada, porque os setores industriais costumam operar com maiores economias de escala e escopo, além de propiciar inovações tecnológicas e cadeias de valor mais sofisticadas.
Rodrik argumenta que os países que conseguiram maior crescimento sustentado foram justamente aqueles capazes de promover essa realocação setorial de forma eficaz. Em seus estudos sobre América Latina e África, ele mostra que muitas economias desses continentes falharam em transformar sua estrutura produtiva, mantendo grande parte da mão de obra em setores de baixa produtividade. Isso limita o crescimento da produtividade agregada e, por consequência, o avanço do desenvolvimento econômico.
O trabalho de Rodrik tem implicações práticas importantes para a formulação de políticas públicas. Governos que desejam acelerar o crescimento de seus países devem olhar além da eficiência interna dos setores existentes e promover políticas ativas de transformação produtiva. Isso envolve investimentos em infraestrutura, educação técnica, financiamento à indústria, proteção temporária a setores estratégicos e criação de condições institucionais para a realocação eficiente de trabalhadores. A produtividade nacional, portanto, depende tanto da melhoria dentro dos setores quanto, e sobretudo, da mudança entre setores.
Rodrik traz uma perspectiva muito relevante para o estudo da produtividade em países emergentes. Destaca dois tipos de ganhos de produtividade relevante nos países: “within” e “between”. Nos aumentos de produtividade “within” um setor fica mais eficiente; digamos um cabeleireiro corta mais cabelos por dia ou uma fábrica produz mais carros por dia. Nos aumentos de produtividade “between” uma economia consegue “converter” cabeleireiros em trabalhadores de fabrica; nesse caso a produtividade aumenta muito mais pois as fábricas tem mais economias de escala e escopo do que os salões de corte de cabelos. O potencial de aumento de produtividade pela via “between” (também chamada de mudança estrutural de uma economia) é muito maior do que pela via “within”. No trabalho abaixo Rodrik apresenta essas medidas para países da América Latina e África dos últimos anos.
*paper Rodrik sobre America Latina e Asia,
**paper Rodrik sobre papel da Industria
A abertura comercial dos 1990 reduziu a produtividade agregada da economia brasileira?

*fonte do grafico: http://drodrik.scholar.harvard.edu/files/dani-rodrik/files/globalization_structural_change_productivity_growth_with_africa_update.pdf?m=1435002696








Esses papers do Rodrik podem ser encontrados em português?
Infelizmente não!