Divulgado o resultado do IGP-10 de abril: registrou-se deflação de 0,22%, após uma alta de 0,04% em março. No acumulado do ano, o índice apresenta alta de 1,22%, enquanto nos últimos 12 meses a variação é de -8,71%.
O destaque vai para a deflação no atacado, puxada pela queda de 0,47% no IPA (Índice de Preços ao Produtor Amplo), que representa cerca de 60% do IGP-10. Essa queda está ligada, principalmente, à redução de 1,14% nos preços industriais, revertendo a alta anterior de 1,38%. Esse movimento pode refletir tanto efeitos de guerras tarifárias globais quanto sinais de desaceleração da atividade industrial.
O IPC-10, que representa 30% do índice, também desacelerou, com alta de 0,42%. Já o INCC, que mede preços da construção civil, veio um pouco mais comportado, com variação de 0,45%, o que colabora com os esforços do Banco Central em controlar a inflação.
Ainda no cenário global, permanece a incerteza sobre a política de juros nos Estados Unidos, especialmente após o chamado “Liberation Day”, em 2 de abril, que acabou trazendo mais dúvidas do que clareza. A atenção agora se volta aos efeitos da crise tarifária nas variáveis macroeconômicas. A dúvida central é: a desaceleração da atividade será mais forte que a inflação?
Hoje foi divulgado o índice Empire State Manufacturing, indicador da atividade manufatureira na região de Nova York, que mostrou queda de 7,4 pontos, retornando ao campo negativo. Embora seja apenas um dos indicadores, ele sinaliza enfraquecimento recente da atividade econômica.
Dentro do Federal Reserve, há divergências: alguns membros consideram a queda de atividade mais permanente e a inflação transitória. Se essa visão prevalecer, é possível vermos três cortes de juros de 0,25 ponto percentual ao longo de 2025. Esse cenário já começa a se refletir no índice DXY, que mede o valor do dólar frente a uma cesta de moedas e que vem operando em mínimas de dois anos — o que favorece moedas emergentes como o real.
Na Argentina, o novo regime cambial lançado ontem teve um começo relativamente bem-sucedido. Houve convergência entre o dólar oficial e o dólar paralelo (blue), ambos agora na casa dos 250 pesos por dólar. Apesar disso, a moeda argentina continua sobrevalorizada. O teto da banda cambial está em 400 pesos por dólar, o que parece mais condizente com o equilíbrio estrutural do país.
Esse regime pode ser sustentado no curto prazo devido ao otimismo com o governo Milei e ao fluxo de capitais positivos. No entanto, estruturalmente, a Argentina precisará de uma taxa de câmbio mais desvalorizada para equilibrar suas contas externas. No Brasil, por outro lado, os fundamentos apontam para um real estruturalmente mais valorizado — estimado por muitos analistas em torno de R$ 5,00 ou menos por dólar.



