A análise da trajetória da inflação no Brasil ao longo das últimas décadas, com base no gráfico abaixo, revela um padrão preocupante de persistência inflacionária entre 2010 e 2016 — período que coincide com a gestão de Alexandre Tombini à frente do Banco Central (2011 a 2016). A inflação medida pelo IPCA ficou sistematicamente próxima ou acima de 6%, em muitos momentos ultrapassando o teto da meta, sem que houvesse uma resposta firme e tempestiva por parte da política monetária.
Durante os primeiros anos da década de 2010, o Brasil enfrentava um contexto de estímulo à demanda por meio de políticas fiscais expansionistas: desonerações tributárias setoriais, aumento do gasto público e forte elevação do crédito subsidiado via BNDES. A economia operava próxima ao pleno emprego, com pressões de custos crescentes e um ambiente internacional ainda favorável aos preços de commodities. Nesse cenário, a inflação deveria ter sido combatida com elevação mais célere e robusta da taxa Selic.
No entanto, Tombini optou por uma abordagem mais leniente, muitas vezes justificando a não elevação dos juros com base em choques temporários ou na crença de que a desinflação ocorreria “naturalmente” com a desaceleração global. Essa postura ficou particularmente evidente em 2012 e 2013, quando os juros chegaram a ser reduzidos para 7,25% ao ano — nível historicamente baixo à época — mesmo com a inflação persistentemente acima da meta de 4,5% e a atividade doméstica relativamente aquecida.
A consequência desse atraso foi a consolidação de uma inflação resistente, que gerou corrosão do poder de compra, distorções nos contratos e perda de credibilidade da política monetária. Como os gráficos mostram, o IPCA se manteve por vários anos na faixa entre 5,8% e 6,5%, culminando em 2015 com a explosão inflacionária de 10,67%, fruto também do represamento de preços administrados (como energia e combustíveis) durante os anos anteriores — uma prática que agrava a desancoragem das expectativas e aumenta o custo do ajuste posterior.
Além disso, a credibilidade do regime de metas foi comprometida. A comunicação do Banco Central durante esse período era ambígua, e o mercado passou a questionar sua autonomia e compromisso com o controle da inflação. Isso elevou o risco-país, contribuiu para a deterioração do câmbio e tornou mais custosa a política de desinflação que viria a partir de 2016, sob nova gestão.
Em síntese, o caso do Brasil entre 2011 e 2016 ilustra os perigos de uma política monetária excessivamente complacente num ambiente de estímulo fiscal e pressões inflacionárias. A atuação de Alexandre Tombini, ao não reagir com a força necessária, permitiu que a inflação escapasse do controle, com consequências duradouras para a credibilidade institucional e o bem-estar da população.

A partir de 2013, diante do agravamento das pressões inflacionárias e da crescente perda de credibilidade do regime de metas, o então presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, iniciou um processo de reversão da política monetária expansionista que havia adotado nos anos anteriores. A taxa Selic, que havia sido reduzida a 7,25% ao ano — o menor patamar da história até então — começou a subir em abril de 2013, marcando o início de um novo ciclo de aperto monetário.
Essa guinada foi uma resposta tardia a um cenário cada vez mais deteriorado. O IPCA vinha se mantendo persistentemente acima do centro da meta (4,5%) desde 2010, e as expectativas inflacionárias já estavam desancoradas. Além disso, o governo federal mantinha uma postura fiscal expansionista, com aumento dos gastos públicos, represamento de preços administrados (como energia e combustíveis) e ampliação de crédito por bancos públicos, o que dificultava o trabalho do Banco Central no controle da inflação.
Mesmo com a retomada da alta dos juros, o processo foi gradual e insuficiente para reverter a deterioração rapidamente. Em 2013, a Selic subiu para 10% ao ano, e continuou subindo até atingir 14,25% em 2015 — o maior nível desde 2006. No entanto, os efeitos da demora começaram a aparecer com mais força nesse período: a inflação explodiu para 10,67% em 2015, em grande parte devido ao ajuste de preços represados e à forte desvalorização cambial.
A reação de Tombini — embora tecnicamente correta ao retomar o aperto monetário — foi vista como tardia e reativa, e não preventiva. A política monetária perdeu eficácia, pois o Banco Central já não era mais percebido como uma âncora confiável de expectativas. O custo dessa recuperação da credibilidade foi alto: juros elevados por tempo prolongado, recessão econômica e perda de bem-estar para a população, especialmente para os mais pobres, mais sensíveis à inflação.
Em resumo, a reação de Alexandre Tombini ao subir os juros a partir de 2013 tentou corrigir um erro anterior de diagnóstico e inação, mas já era tarde. O cenário macroeconômico exigia um ajuste mais severo, que acabou recaindo sobre os ombros da sociedade, evidenciando a importância de uma política monetária tempestiva, autônoma e comprometida com o regime de metas.


