Quando as dívidas pesam muito, a economia fica “numb”

Conversa numa mesa de operação, fundo multimercado. Gestores se perguntam o que aconteceu que o mundo e o Brasil não crescem mais como antigamente. Os juros vão subir ou cair no futuro? A grande mudança que existe hoje é o tamanho das dívidas, das famílias e empresas. Todos viraram poupadores líquidos tanto no Brasil, quanto no Japão, Eua e Europa. O único setor que se endivida é o governo. Ou seja, a demanda que ainda surge depende do déficit público. Enquanto as gigantescas dívidas privadas no mundo não forem equacionadas, não haverá pressão de demanda e portanto não haverá inflação. Raciocínio semelhante se aplica ao Brasil, com nível de endividamento privado menor, mas taxa de juros ainda altíssima para padrões internacionais! O gráfico abaixo mostra o nível dos juros de 10 anos nos EUA desde os anos 80; no momento em 1,70% ao ano.

 

O gráfico abaixo mostra os balanços das famílias, empresas governo americano e estrangeiros em termos de renda e gasto a partir de dados das contas nacionais. Para as famílias são salários menos consumo; para empresas lucros menos investimentos; para governos tributos menos gastos públicos e para estrangeiros exportações menos importações. Quem esta abaixo da linha zero acumula dívidas: o governo americano. Que está acima do zero acumula ativos, são poupadores: as famílias americanas, as empresas americanas e os estrangeiros. Claro que as famílias americanas são altamente endividadas em termos de estoques. O que vemos nesses gráficos são fluxos anuais de poupança ou despoupanca (acúmulo de dívidas). Até 2008 tanto empresas quanto famílias americanas se endividam muito ano a ano. Depois da crise isso virou, desde então famílias e empresas são poupadores. Se ninguém gastar o PIB cai!

1 thought on “Quando as dívidas pesam muito, a economia fica “numb””

  1. Dado que o estoque de dívidas das famílias cresceu, nas últimas décadas, por conta das bolhas crédito…etc…é razoável / normal que haja um movimento no sentido da prudência / cautela, tendo como decorrência aumento do fluxo de poupança ( não consumo ) por parte das famílias.

    Busca-se nesse movimento um reequilíbrio patrimonial ( ativo-passivo).

    O mesmo raciocínio vale para as empresas ( até pela queda da demanda agregada das famílias ).

    Resta ao governo tomar à frente e expandir sua política fiscal ( até porque o instrumento laxista da política monetária não vem obtendo sucesso ).

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