Queda da confiança no Brasil

Foi divulgado o dado de inflação americana (PCE). O resultado veio em linha com o esperado: alta de 0,2% na comparação mensal e 2,6% na anual. No núcleo da inflação (core PCE), que exclui itens mais voláteis, a variação também foi de 0,3% no mês e 2,9% em doze meses, igualmente dentro das projeções do mercado. Portanto, nada de novo ou surpreendente nesse indicador. Essa deve ser a última leitura relevante antes da reunião do Fed em setembro, reforçando a expectativa de corte de juros. Embora ainda haja alguma pressão nos serviços financeiros, medida pelo chamado “supercore”, isso não deve ser suficiente para adiar o início do ciclo de afrouxamento monetário nos EUA.

Já no Brasil, o destaque são os indicadores de confiança divulgados pela FGV para agosto, que vieram muito fracos. Faz tempo que não se viam números tão negativos: a confiança dos serviços caiu para o menor nível em dois anos, a confiança da indústria despencou desde julho, puxada principalmente pelos efeitos tarifários, e a confiança da construção também atingiu mínimas recentes. O comércio seguiu a mesma tendência, e o consumidor continua em patamar baixo desde o início do ano. Essa convergência negativa sugere desaceleração mais forte da atividade econômica no terceiro trimestre, com reflexos diretos no PIB. Apesar dos esforços do governo em liberar crédito e programas de auxílio, os efeitos sobre a confiança ainda não apareceram. O quadro aponta, portanto, para um cenário de enfraquecimento da economia no curto prazo.

2 thoughts on “Queda da confiança no Brasil”

  1. Paulo, não entendi se a pesquisa é feita com os representantes dos setores ou se é um retrato do volume de negócios no período. Mas se tem um indicador confiável é o que revela que a maioria dos empresários são neoliberais e muitos de extrema direita.
    Dado a tal “polarização”, a movimentação eleitoral para 2026 e o apoio que muitos desses empresários dão às pressões feitas por Trump, o pessimismo do mercado não seria um falso indicador para prejudicar a reeleição de Lula?

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