Queda do varejo no Brasil em Janeiro

Destaque vai para a queda de 0,2% nas vendas do varejo em janeiro no Brasil. Esse é mais um indicador de atividade econômica fraca, somando-se à produção industrial estagnada, à queda da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) do IBGE e, agora, à retração no varejo. Esses sinais de desaceleração econômica já eram esperados, mas agora estão se confirmando.

Ontem, também tivemos um dado relevante sobre crédito: uma forte queda na concessão de crédito em janeiro, de quase 10%. Esse movimento tem um componente sazonal negativo no início do ano, mas a retração foi mais acentuada desta vez. A análise da nota do Banco Central mostra que esse comportamento é recorrente no começo do ano, mas o tombo atual foi ainda mais intenso.

Por outro lado, tivemos um dado positivo no campo fiscal: um superávit primário de R$ 104 bilhões em janeiro, acima do esperado. Com uma conta de juros de R$ 40 bilhões, o governo registrou até um superávit nominal, algo raro. Esse resultado tem uma sazonalidade favorável, com maior arrecadação e menor despesa no início do ano, mas, ainda assim, foi melhor do que o esperado, o que é uma boa notícia.

No comércio varejista, enquanto o varejo restrito caiu 0,2%, o varejo ampliado cresceu 1,7%. A diferença se deve, principalmente, ao desempenho positivo de materiais de construção, veículos, autopeças e motocicletas, que ajudaram a compensar a queda em outros segmentos.

No cenário geral, a economia brasileira cresce menos em 2024. O destaque positivo fica com o agronegócio, que deve registrar uma safra 10% maior do que no ano passado, atingindo um novo recorde. O setor agropecuário deve se recuperar da queda de 2023, mas a indústria e o consumo tendem a perder força, já que o governo segue firme na política de contenção monetária, com juros elevados.

Na próxima semana, o Copom se reúne, e a expectativa é que a Selic suba para 14,25%. A principal dúvida é sobre o tom do comunicado: o Banco Central pode sinalizar uma desaceleração do ciclo de alta, com possíveis aumentos menores de 0,50 ou 0,75 ponto percentual. O fato é que a economia está desacelerando, e o BC deve reconhecer isso na ata da reunião.

As expectativas de inflação se estabilizaram em torno de 5,5% a 5,6% para este ano, ainda um patamar alto, mas sem tendência de alta no curto prazo. O câmbio também desempenha um papel crucial: se o dólar permanecer na faixa de R$ 5,80, isso ajudará no controle inflacionário. Com a desaceleração econômica, há uma chance de a inflação começar a ceder nos próximos meses.

Lá fora, o principal dado do dia será a expectativa do consumidor americano, divulgada às 11h. Para a próxima semana, o grande destaque será a Super Quarta, com decisões de juros do Federal Reserve nos EUA (que deve manter as taxas) e do Copom no Brasil.

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