Quem sai na frente costuma ganhar a corrida industrial da riqueza das nações!

*trecho de meu novo livro escrito com o brilhante economista André Roncaglia

Qualquer pessoa que já tenha empurrado um carro enguiçado numa avenida sabe quanta força é necessária para deslocar o veículo por poucos metros. Agora, quando o carro funciona, um leve pisar no acelerador pode levá-lo em poucos segundos a uma velocidade de mais de 100 km/h. De forma análoga, na presença de retornos crescentes de escala, uma firma ou setor consegue grande acréscimo da quantidade do produto final, mais do que proporcionalmente ao aumento da quantidade de utilização de um fator de produção (terra, capital ou trabalho). Assim, um aumento de 10% na quantidade de horas trabalhadas, por exemplo, pode determinar um aumento de 15%, 20% ou muito mais da produção da empresa. Este fenômeno aparece quando empresas ou setores operam com complexas redes de cooperação, a partir de uma intricada divisão do trabalho tanto dentro das empresas como entre as empresas. Uma maior produção significa que cada insumo adicionado é mais produtivo e, ao combinar-se com outros fatores, reduz o custo de cada unidade adicional do bem produzido (o que os economistas chamam de custo marginal). Se produzir mais significa menores custos, as empresas e setores se aproveitam da sua produtividade e têm, portanto, fortes estímulos para expandir produção e buscar mais lucros e dominar maior fatia do seu mercado.

O setor manufatureiro costuma se destacar neste aspecto. Em contraste com a maioria das empresas do setor de serviços não sofisticados ou do agronegócio, as empresas industriais enfrentam custos marginais decrescentes ao expandir a produção; ou seja, sua atividade se beneficia de retornos crescentes de escala e escopo. Adicionar um turno à jornada de produção ou a implantar uma nova máquina no chão da fábrica pode multiplicar em muitas vezes a capacidade de produção de uma determinada indústria. Nos setores de serviços não sofisticados e agronegócio, a expansão da atividade tende a custar caro, sem acrescentar na margem uma capacidade produtiva significativa. São setores que sofrem com retornos decrescentes conforme se amplia a escala da produção. Atividades com retornos crescentes de escala exibem também fortes externalidades de redes e dinâmicas de aglomeração. Isso significa que quem faz a primeira jogada ou tem a melhor ideia (os “first movers”) ganha posição de destaque no mercado e tende a atrair mais atenção e maior poder sobre o mercado. A empresa que sai na frente tem forte poder de aglutinar fornecedores e consumidores em sua rede de influência, dando espaço à dinâmica de “armadilha” (lock in), o que torna o comportamento da rede dependente da trajetória (path dependent). Isto significa que as condições iniciais determinam boa parte da história posterior do sistema; daí a importância de, como no jogo de xadrez, ser “o primeiro a jogar”. Um bom exemplo aqui esta na disputa entre os padrões VHS e Betamax dos aparelhos videocassete dos anos 80. Mesmo com um padrão tecnológico pior, o sistema VHS ganhou a batalha pois saiu na frente e equipou primeiro a casa dos consumidores (ver Paul David 1985).

Como nos esportes, a vitória na economia também exige chegar em primeiro lugar!

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