Real na máxima de 12 meses

Acabaram de ser divulgados os dados do payroll nos Estados Unidos, o indicador mais aguardado do dia. A criação de vagas veio bem acima do esperado: foram 147 mil empregos gerados, contra uma expectativa de 106 mil, e um número anterior revisado para 139 mil. Já a taxa de desemprego caiu ligeiramente para 4,1%, quando o mercado esperava uma alta para 4,3% vindo de 4,2% no mês anterior. O dado reforça um mercado de trabalho ainda resiliente, mas em processo de desaceleração gradual. Ao abrir os números, vemos que a criação de vagas no setor privado foi de 70 mil, enquanto o setor público contribuiu com 70 mil. Na terça-feira, tivemos o relatório JOLTS, que mostrou um número de vagas em aberto ainda elevado, embora também em queda. Já o ADP, divulgado ontem, veio fraco e apontou uma possível contração do mercado de trabalho privado, mas a correlação do ADP com o payroll tem sido cada vez mais fraca.

O resumo da ópera é: o mercado de trabalho americano está desacelerando como o esperado, mas ainda está longe de qualquer cenário recessivo. Isso reforça a leitura de que o Federal Reserve não deve cortar juros já em julho – seria necessário um enfraquecimento bem mais acentuado para isso. O cenário mais provável é um primeiro corte na reunião de setembro, o que hoje já é a aposta majoritária do mercado. Essa combinação – economia ainda forte, sem colapsar, e inflação cedendo sem pressões salariais relevantes – mantém um ambiente benigno para países emergentes, especialmente o Brasil. Os juros de 10 anos nos EUA subiram pontualmente para 4,30%, mas não parece haver uma tendência estrutural de alta. No Brasil, o real tem se valorizado fortemente. Já voltamos aos níveis mais baixos do dólar desde agosto do ano passado, com a moeda americana testando R$5,40. Esse movimento reflete uma distensão geral dos mercados, com o dólar tendo seu pior primeiro semestre desde 1986. O real, com juros muito altos, tem sido um dos principais beneficiados, o que ajuda no controle da inflação por aqui. Com esse cenário, já é possível trabalhar com uma projeção de inflação abaixo de 5% este ano, e há espaço para o Banco Central considerar cortes de juros em 2025. Por fim, lembrando que hoje o mercado nos EUA fecha mais cedo, às 14h, por conta do feriado de 4 de julho amanhã. A liquidez deve cair bastante já nas próximas horas, e amanhã o mercado estará fechado.

1 thought on “Real na máxima de 12 meses”

  1. Parabéns pelo excelente panorama econômico, claro e bem fundamentado! Sua análise traz insights valiosos sobre os impactos do payroll e as perspectivas para juros e inflação. Sigo acompanhando e apoiando esse trabalho informativo de qualidade!

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