Real se valoriza 12% no semestre!

Nesta terça-feira, 1º de julho, encerramos o mês de junho e também o primeiro semestre de 2025. E que semestre foi esse! Já começou turbulento, com todo o estresse provocado pelo “Liberation Day” das tarifas, que gerou uma forte queda nas bolsas americanas. No entanto, impressionantemente, os mercados se recuperaram completamente: o S&P 500 e o Nasdaq voltaram para as máximas históricas, mostrando a resiliência dos ativos de risco.

No câmbio, o movimento foi igualmente expressivo: o dólar sofreu uma queda significativa, acumulando desvalorização de cerca de 10% no semestre — seu pior desempenho trimestral desde 1986. Esse movimento está relacionado tanto ao excesso de compras no final do ano passado quanto às pressões políticas nos EUA para corte de juros. Donald Trump tem pressionado fortemente o Fed, e o mercado já precifica dois cortes ainda neste ano. Com o mandato de Jerome Powell terminando em março de 2026, é possível que mudanças na liderança do banco central norte-americano tragam ainda mais estímulos à economia.

O índice DXY, que mede o dólar contra uma cesta de moedas, chegou a ultrapassar 110 no “Trump Trade”, mas agora mergulhou para abaixo de 100. Esse enfraquecimento do dólar favorece os emergentes, e o Brasil tem sido um dos maiores beneficiados.

O real se valorizou aproximadamente 12% no semestre, atingindo o maior patamar em nove meses. Isso se refletiu diretamente na curva de juros brasileira, com quedas expressivas, especialmente nas pontas longas. Ontem, por exemplo, os juros longos recuaram 20 a 25 pontos-base, com os papéis indexados chegando a taxas próximas de 7%. Títulos como a B50, que estavam pagando 8,5% no início do ano, hoje oferecem bem menos. Para quem investiu nesses papéis durante o estresse cambial da virada do ano, os retornos ultrapassam 60% em reais — ou mais de 70% em dólar.

O impacto nos ativos financeiros começa a se transmitir à economia real. A apreciação cambial já provoca queda na inflação. Segundo o Boletim Focus divulgado ontem, a expectativa para o IPCA caiu para 5,14%, o menor patamar do ano. Muitos analistas já trabalham com cenários abaixo de 5% para 2025. Os preços dos alimentos têm mostrado forte alívio, com quedas expressivas em produtos como tomate, batata e café nas últimas leituras do IPCA.

Além disso, os IGPs vêm apresentando deflação há quase três meses, o que também contribui para conter os preços ao consumidor. Com isso, a curva de juros apresenta hoje uma inversão significativa: os juros curtos seguem elevados, acima de 15%, enquanto os longos operam mais próximos de 13%, o que sugere expectativa de queda de inflação no médio prazo.

No mercado de trabalho, os sinais também apontam para uma desaceleração. O Caged divulgou ontem a criação de cerca de 150 mil vagas formais — um número abaixo do esperado, reforçando os efeitos defasados do choque de juros sobre a atividade. Sabemos que a política monetária funciona com defasagens, mas os dados sugerem que o aperto já começa a surtir efeito.

O segundo semestre promete ser marcado por uma inflação mais baixa, um real valorizado e juros em trajetória de queda. Tudo isso favorece a economia brasileira, embora reste a dúvida sobre o tamanho da desaceleração necessária para que o processo de desinflação se consolide.

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